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TODOS OS DORAMAS BL JAPONESES (LISTA)

Lista de todos os doramas BL lançados no Japão, com suas respectivas datas de estreia. Os que tiverem entrevistas com os atores traduzidas a...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

ENTREVISTA: SAITO CHIHO (PARTE 1)

Em 2017, SaitoChiho deu uma entrevista para a revista Febri (original aqui), a qual foi colocada no site da publicação em 2021. Vire e mexe, procuro e encontro essas preciosidades, mas quase nunca traduzo. Como foi uma conversa muito interessante e estou tentando pegar firme e publicar mais esse tipo de coisa, segue aqui a tradução da primeira parte.

 

Entrevista com a mangaká Saito Chiho

Personagens lindos que se assemelham ao Takarakuza e tramas históricas dramáticas escritas em escala grandiosa. Europa medieval, Rússia do período moderno, Era Heian... Entrevistamos uma mestra em obras históricas longas que desenha esses vários períodos e países com sua habilidade para desenhos irresistível. Por que esse entusiasmo com obras históricas e o que ela pensa neste momento em que sua carreira como desenhista atinge os 35 anos?

 

Parte 1

 

- No Ensino Fundamental, brincava com minha amiga fingindo produzir uma revista de mangás –

 

- Quando era criança, que tipo de desenho você fazia?

Saito: Na época do jardim de infância, o que desenhava principalmente eram muitos robôs, como Tetsujin 28-go. Creio que naquela época eu me divertia mais desenhando linhas fortes do que traços fofos de seres vivos. Como minha irmã mais velha também era boa com desenhos, ao entrar no ensino fundamental, ela, eu e mais uma amiga criamos uma revista de mangá e brincávamos com isso. Cada uma desenhava a história que quisesse e nós juntávamos tudo com um grampeador. Escrevíamos inclusive chamadas para instigar a compra como “Uma nova serialização após a outra!” (risos) e colocávamos propagandas feitas à mão na contracapa.

 

- Que tipo de mangá você serializava nessa época?

Saito: Eu escrevi um mangá de vôlei porque recebi influência de obras que estavam no pico de popularidade, as quais mostram pessoas com espírito combatente, como Attack N. 1 e Sign wa V!. Algo como “Vamos juntas para as Olimpíadas de Teerã!”. Pensando agora, é um mistério o porquê era em Teerã (risos).

 

- Até quando vocês continuaram fazendo essa antologia?

Saito: No período do ensino fundamental 1, nós continuamos; porém, após entrar no ensino fundamental 2, o grupo separou-se. Eu mesma, depois disso, também fiquei um tempo afastada dos mangás.

 

- E que tipo de coisa você fez nessa época?

Saito: Assim que entrei na escola, virei membro do clube de tênis; porém, como havia muitas pessoas lá, não me deixavam acertar a bola, então eu me irritei e saí (risos). Depois disso entrei num grupo de pesquisa de mangá, mas no geral nós não líamos nada e só ficávamos vendo filmes e escutando músicas. Entretanto, uma vez uma amiga disse-me “Chiho-chan, você é boa com desenhos, não é? Desenhe isto” e me passou A Rosa de Versalhes. Ela ficou muito feliz quando eu entreguei uma cópia exata. Essa história espalhou-se e várias pessoas passaram a vir pedir para eu desenhar mangás para elas. Minha rotina diária dessa época era fazer cópias exatas de mangás como Sora ga Suki! da Takemiya Keiko e Poe no Ichizoku da Hagio Moto. Eu me sentia bem porque todos elogiavam minhas habilidades com desenhos (risos) e, antes que eu percebesse, passei a pensar que iria me tornar mangaká.

 

- E então você passou a desenhar mangás novamente.

Saito: Isso. No ensino médio, eu entrei em um grupo de pesquisa de mangá e nós também conseguimos, durante as férias de verão, permissão para todos os membros do grupo fazerem uma excursão escolar no departamento editorial da Betsu Comi. Só que, como eu fui lá com uma mentalidade Maria-vai-com-as-outras de querer ver os manuscritos da Takemiya e da Hagio, minhas próprias obras pareceriam estar sobrando nesse ambiente. Acho que foi por volta dos meus 20 anos que eu comecei a submeter genuinamente meus manuscritos e ganhei um editor.

 

- Qual foi a sequência de eventos disso até sua estréia?

Saito: Quando me mudei da Betsucomi para a Shoujo Comic (atualmente: Sho-Comi), seguindo meu editor que fora transferido, disseram-me que poderia desenhar o que quisesse e, como Os Três Mosqueteiros estavam na moda, desenhei Ken to Mademoiselle e essa virou minha obra de estréia. Ainda por cima, falaram-me que havia garantido um bloco de serialização de 4 semanas na revista, começando a partir do próximo número. Sem nem mesmo entender por quê, de repente fiquei ocupada.

 

- Conseguiu de uma sentada só a sua serialização de estréia, né? Foi bem tranquilo para você, não?

Saito: Porém essa serialização foi um grande fracasso (risos). Até aquele momento, eu só havia desenhado obras ocidentais, mas, na Shoujo Comic daquela época, os trabalhos que saíam eram principalmente sobre temas escolares que tinham por cenário o Japão atual e não se podia evitar isso. Eu me desafiei e tentei fazer algo diferente, mas como era de se esperar a popularidade do trabalho não veio... Nessa época fiquei bem para baixo.

 

- Eu, fundamentalmente, gosto de pessoas que fazem coisas ruins (risos) -

 

- Essa obra foi Tonderu Mitai, né? Ela não recebeu nem mesmo encadernação?

Saito: Não recebeu. Ou melhor, eu não quero que encadernem (risos). Sou muito grata porque mesmo depois disso me permitiram desenhar com constância mangás one-shot, mas até o fim eu não me acostumei com obras escolares e deixei esse tema parado por anos.

 

- De fato, parece-me que nesse período você desenhou um número enorme de mangás curtos.

Saito: Foi difícil porque eu tinha de quase que toda semana criar os personagens, cenários e enredo das histórias do zero. Em meio a isso, senti que finalmente havia tido um pouco de reação do público quando desenhei a obra Wedding to Yuu sobre duas pessoas apaixonadas recém-casadas. Havia o fato de eu já ser casada e meu editor recomendou que tentasse desenhar. Na minha cabeça eu fiquei reclamando que a vida de recém-casados não era tão doce assim, porém, talvez por histórias desse tipo serem raras, o mangá teve um pouquinho de sucesso. Quanto a obras românticas, mesmo que goste de vê-las, por exemplo, em filmes, hesitava em desenhá-las porque tinha muita vergonha, mas acabei me convencendo afirmando para mim mesma que não havia outra escolha (risos). Depois que me decidi a lutar nesse caminho embaraçoso, passei a desenhar assertivamente esses amores românticos.

 

- Você teve uma dificuldade dessas, né? Qual foi a obra que mudou sua opinião e fez você achar que conseguiria continuar devido à boa reação do público?

Saito: Acho que foi na época de Waltz wa Shiroi Dress de e Mou Hitori no Marionette. Especialmente Mou Hitori no Marionette foi uma mangá memorável, sendo que, como meu editor era alguém que conseguia por si mesmo escrever roteiros, nós ficávamos os dois através de tentativa e erro criando histórias que de alguma forma atraíssem as pessoas. Como surpreender as leitoras era nossa prioridade máxima, nós repetíamos um padrão de jogar nas obras um cenário absurdo e pensar na continuação na semana seguinte (risos).

 

- Então o Jin Masayuki ter dupla personalidade também...?

Saito: Foi algo decidido depois. Eu estava sempre quebrando a cabeça sobre como encaixar as partes da história enquanto adicionava cenários novos. Foi uma obra que me fez usar ao máximo minhas habilidades, mas, estranhamente, tenho a sensação que as peças juntaram-se com barulho e colocaram-se nos lugares apropriados, então as coisas deram certo (risos).

 

- Quanto à outra, Waltz wa Shiroi Dress de, ela foi sua primeira obra histórica, não é?

Saito: Isso. Como o palco principal é o Japão da década de 30, é uma obra histórica um pouco diferente da Europa medieval que eu sempre quis desenhar. Criei Waltz porque queria desenhar os militares daquela época.

 

- Isso quer dizer que a obra histórica que você realmente desejava fazer era Kakan no Madonna, cuja premissa tem por cenário o Ocidente da Idade Média e Idade Moderna?

Saito: Essa história me fez sentir que havia realizado meu verdadeiro desejo. Eu gosto demais de cavalos e capas, então pedi que eles me deixassem desenhar de alguma forma homens de capa montados em cavalos (risos). Como eu fora muitas vezes à Itália para fazer turismo relacionado às obras de arte, os cenários também foram fáceis de desenhar.

 

- Por que você pensou em desenhar Cesare, um personagem histórico?

Saito: Porque eu gostava do livro escrito por Shiono Nanami sobre ele (Cesar Borgia Aruiwa Yûganaru Reikoku). Eu, fundamentalmente, gosto de pessoas que fazem coisas ruins (risos). Além disso, gosto de pessoas que não são apenas vilões, mas têm um ar de carisma malvado e que, caso necessário, não medem os meios dos quais dispõem para atingir seus objetivos.

 

- Você sempre foi do tipo que aprecia homens ruins? (Risos)

Saito: É por aí. Desde o jardim de infância, eu via os Taiga Dorama e gostava muito de desenvolvimentos do tipo em que um garoto é maltratado pelos irmãos e pais, mas usa isso como encorajamento para crescer e contra-atacar! No Teatro Takarazuka também, eu gostava mais dos papéis masculinos, pois eram fortes e robustos, e certamente isso está na origem da minha fascinação por esse estilo de homem.

 

- A partir de Shoujo Kakumei Utena, eu tornei os meus desenhos mais sexys e sensuais –

 

- Isso deve estar relacionado ao fato de você desenhar personagens masculinos tão charmosos. Após esse, nós agora trataremos de Shoujo Kakumei Utena, que também é famoso como animê.

Saito: Originalmente, o plano era criar uma obra voltada para meninas que transformasse o mundo dos meus mangás em animê, mas, enquanto criávamos, ela foi ficando cada vez mais densa e no fim transformou-se em algo bem diferente do meu estilo (risos). Por isso digo que até é meu filho, mas é uma existência mais parecida com a de um enteado.

 

- Qual foi a sensação durante o período de produção?

Saito: Foi muito divertido. Enquanto membro da equipe, eu estava em um espírito de disposição para desenhar qualquer coisa, além do que dormimos juntos para costurar o roteiro e essa criação em grupo era um estilo novo para mim. Acima de tudo, como o diretor Ikuhara Kunihiko assumiu toda a responsabilidade pela obra, de qualquer forma eu fiquei despreocupada (risos).

 

- Houve alguma influência positiva da equipe de animação?

Saito: Houve muitas, mas fiquei especialmente surpresa com o quanto demorava para fazer o design dos personagens. Seios, nádegas, pernas... a fixação com partes das mulheres era tremenda (risos). No começo eu resisti à ideia de colocar tanta ênfase nos seios, mas aos poucos passei a tomar consciência do ponto de vista masculino. As figuras de shoujo mangá que eu havia acumulado até então foram um pouco quebradas. Acho que, após Shoujo Kakumei Utena, eu tornei os desenhos das minhas heroínas um pouco mais sexys e sensuais.

 

- Que tipo de reação você teve em relação à obra pronta?

Saito: Surpreendi-me porque, mesmo usando minhas ideias, personagens e minha visão de mundo, só pela forma de fazer a comida ser outra, a obra acabou tornando-se tão diferente assim. Ao mesmo tempo, a começar pelo diretor Ikuhara, toda a equipe fez uma análise completa de meu trabalho e tenho a impressão que eles me ensinaram características e peculiaridades que nem eu mesma havia percebido. Porque não há ninguém além do meu editor com quem eu converse tão profundamente assim sobre a minha obra.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

ENTREVISTA: HAYAMA SHONO E IIJIMA HIROKI FALAM SOBRE O ESPECIAL BOKU MO AITSU MO SHINRÔ DESU PARA O SITE TV LIFE

Ano passado, o canal Kansai TV exibiu um especial de comédia romântica chamado Boku mo Aitsu mo Shinrô desu (Eu e Ele Somos os Noivos, em tradução livre). Minha intenção era começar as traduções mais fixas do blog com Cherry Magic, mas surgiram imprevistos e não poderei me dedicar como gostaria esse fim de semana. Como o especial é só um episódio, resolvi revê-lo e traduzir uma entrevista com os atores (a foto também é do site TV Life).

Infelizmente, em vez do formato tradicional de perguntas e respostas, o que eles dizem está dentro da reportagem em japonês (todos os artigos que achei estão assim, pois as informações foram coletadas em uma coletiva de impressa para os sites). Por isso, traduzi o texto dessa reportagem. Fica aqui como registro da primeira tradução relacionada a BLs japoneses do meu blog. Só para constar: mantive o nome dos atores na ordem japonesa mesmo.


Hayama Shono e Iijima Hiroki falam sobre os pensamentos que colocaram em Boku mo Aitsu mo Shinrô desu: “Dejamos que o mundo tenha paz”

 

O dorama especial que Hayama Shono e Iijima Hiroki estrelam juntos, Boku mo Aitsu mo Shinrô desu (Kansai TV), será transmitido em 13 de março. Os atores fizeram uma coletiva de imprensa na Kansai TV.

Esta obra é uma comédia romântica comovente e de passo rápido cujo roteiro mostra o dia da cerimônia de casamento entre dois homens - Seto Ryosuke, um professor de ensino fundamental interpretado por Hayama Shono, e Aikawa Mizuki, um fazendeiro que cultiva limões interpretado por Iijima Hiroki.

Nesta ocasião, foi feita uma coletiva de impressa em que os protagonistas Hayama e Iijima tomaram o palco. Primeiramente, relembrando as gravações ocorridas por toda Hiroshima, Hayama disse que “foi difícil porque estava muito frio, mas a equipe e os atores conseguiram superar isso como um grupo”. Iijima acrescentou que “a agenda para as gravações foi apertada, porém nós nos esforçamos em conjunto. Nós também ganhamos okonomiyaki como recompensa e conseguimos aproveitar Hiroshima”. Assim, cada um falou sobre suas memórias.

Tendo ambos visto as imagens finalizadas: “Acho perfeito para ver meia noite e meia. Ficou uma obra sincera e engraçada”, disse Hayama. Iijima acrescenta: “Como cada personagem tem sua própria personalidade e o ritmo é muito bom, acho que é uma obra popular e fácil de ver”. Os dois, então, deram seu selo de aprovação.

Ao serem perguntados em qual parte gostariam de ver as pessoas prestando atenção, “Quando vesti o smoking pela primeira vez, demorei dois dias para me acostumar, mas no fim fiquei triste por não poder mais usá-lo. Ao lado do Iijima, nós parecemos membros do grupo Junretsu (risos)”, disse Hayama com um sorriso no rosto. “Gostaria que as pessoas prestassem atenção no significado do brinco que eu uso e nas expressões triviais de cada um dos personagens que aparecem”, falou Iijima, pondo luz sobre os pontos com os quais eles se preocuparam na hora de atuar.

Com relação ao tema da obra ser o casamento entre dois homens, “Talvez ainda não seja tão aceitado assim no Japão, porém, através da minha atuação, senti que poderia ajudar o Japão a se tornar mais tolerante daqui em diante em relação aos LGBTQs. Há muito dessa mensagem nesta obra”, comentou Hayama.

Continuando: “No Japão, também está crescendo este tipo de obra e o mundo está mudando consideravelmente. Se esta obra se tornar um passo a mais em direção a um mundo melhor, ficarei muito feliz enquanto criador”, expressou também Iijima.

Por fim, “Estamos em uma época realmente difícil, então ficaremos felizes se conseguirmos que, apenas na hora em que veem esse dorama, vocês não pensem em nada e torçam por esses dois, entendendo que esse tipo de pessoa também existe. Nessa história está inclusa também a mensagem ‘Desejamos que o mundo tenha paz’”, falou Hayama.

Iijima acrescenta: “Foi uma obra divertida de encenar. Tem crescido o número de obras BLs, mas é engraçada uma que começa de repente na cerimônia de casamento e penso que seria bom se vocês se divertissem com este novo mundo de BL. Por favor, fiquem na expectativa para ver as belas paisagens de Hiroshima também”. Essa é sua mensagem para os telespectadores.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

ENTREVISTA: IKEDA RIYOKO FALA SOBRE IGUALDADE DE GÊNERO

 


Entrevista Especial: Ikeda Riyoko

Seção de Assuntos Gerais da Secretaria para Igualdade de Gêneros do Gabinete do Japão

 

O período em que escreveu A Rosa de Versalhes

 

Chefe de Secretaria Hayashi (Tomoko): Este ano (2022) se completará 50 anos do começo da serialização de A Rosa de Versalhes. Eu, desde minha época de menina, gosto muito tanto de A Rosa de Versalhes (daqui em diante: Berubara) quanto de A Janela de Orfeu. Perguntando às jovens trabalhadoras da Secretaria para Igualdade de Gêneros, todas elas disseram conhecer Berubara e assim eu pude perceber novamente ser esta uma obra lida por diferentes gerações. A Janela de Orfeu também. Depois de a ler, morei na Europa a trabalho e penso que é uma obra magnífica porque a atmosfera da Alemanha aparece nos desenhos esplendidamente.

 

Ikeda: Muito obrigada.

 

Hayashi: Para a materialização de uma sociedade com igualdade de gênero, gostaria de ouvir hoje suas histórias, incluindo suas obras e sua própria experiência. Indo direto ao ponto, gostaria de ouvir primeiramente sobre Berubara. Penso que esta obra passou uma impressão muito forte para as meninas daquela época de que a forma de vida de Oscar também era uma possibilidade. Era magnífico vê-la vivendo com seus ideais, e a sua imagem liderando seus subordinados, enquanto mulher nesta sociedade de homens que é o exército, justapõe-se ao quadro d’A Liberdade Guiando o Povo de Delacroix. Essa imagem de Oscar era bem vívida. Pensando bem, você escreveu Berubara na década de 70, então faz 50 anos. O que fez você colocar uma protagonista mulher trabalhando em uma sociedade de homens quando ainda era difícil para mulheres saírem para trabalhar?

 

Ikeda: Originalmente, eu vinha cultivando a ideia de querer desenhar a vida de Maria Antonieta desde a época do Ensino Médio. Porém, através de Oscar, penso que consegui expressar o que queria dizer naquela época.

 

Hayashi: Isso que você queria expressar é a ideia de mulheres trabalharem em posições de igualdade e se tornarem independentes economicamente?

 

Ikeda: Acho que as pessoas de agora não conseguem imaginar algo assim, mas, na época, os mangás eram desdenhados - aliás, eram vistos como uma má influência. Nessa época em que muitos adultos proibiam suas crianças de ler mangás, embora houvesse, claro, quem lesse e me elogiasse bastante, também havia críticas de que eu estava sendo uma má influência para as crianças. Eu fui colocada na linha de frente do fogo cruzado e transmiti muito fortemente minha vontade de que tratassem o mangá como cultura. Eu, junto com o pessoal da edição, desenhava com a ideia de que algum dia o mangá ficasse para as gerações posteriores.

Além disso, naquela época, mesmo desenhando na mesma revista e tendo mais ou menos a mesma popularidade, as mulheres recebiam apenas metade do valor que os homens ganhavam pelos manuscritos. Quando perguntei se isso não era estranho, me falaram que eu era uma “mulher pão-dura” (okane ni kitanai onna da). Também me falaram que era natural homens ganharem o dobro porque mulheres eventualmente se casam e são alimentadas por eles. Era esta a época.

 

Hayashi: Isso é horrível, não é?

 

Ikeda: Como Berubara foi muito elogiada e se tornou um fenômeno social, recebi telefonemas de homens dizendo que eu era muito audaciosa para uma mulher. Eu construí uma casa e me falaram também que era impertinente por fazer isso sendo mulher. Mas eu brigava dizendo que não era como se eu estivesse recebendo dinheiro deles. Pensando nisso agora, parece que foi um sonho.

 

Hayashi: Isso é realmente horrível, não? Estou chocada.

 

Ikeda: Há 50 anos era assim. Mesmo que você tentasse conseguir uma hipoteca para construir uma casa, recebia negativa do banco por ser mulher.

 

Hayashi: A chamada sociedade de homens é isso. Mesmo sem saber dessas coisas, eu tinha admiração pela Oscar quando era criança.

 

Ikeda: Muito obrigada. Eu tive a intenção de desenhar para meninas do Ensino Fundamental, mas fiquei surpresa por também receber o apoio de muitas mulheres que trabalhavam.

 

Hayashi: Se pensarmos na situação da sociedade daquela época, havia realmente muitas mulheres que queriam viver como Oscar.

 

Ikeda: É verdade. Ademais, também percebi como mulheres que trabalham desejam homens compreensivos com quem podem contar, como o André.

 

Hayashi: Para esta entrevista, eu perguntei às mulheres com quem trabalho na Secretaria para a Igualdade de Gêneros de quem elas mais gostavam dentre os vários homens charmosos que aparecem em Berubara. Ao levantarem a mão, o André era quem tinha, esmagadoramente, maior popularidade.

 

Ikeda: Naquela época, parece que todas as mulheres que estavam se esforçando no trabalho queriam um André. Eu pessoalmente estava muito ocupada para ficar elucubrando sobre isso, mas achei que ao lado de uma mulher como Oscar era preciso ter um homem como André.

 

A Janela de Orfeu é o trabalho de uma vida

 

Hayashi: A seguir, quero perguntar sobre A Janela de Orfeu. Outro dia, quando passei pela livraria cooperativa da Universidade de Tóquio, havia um canto chamado “livros recomendados por alunos da Universidade de Tóquio que gostaríamos que alunos do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio lessem”. Ali tinha A Janela de Orfeu enfileirado. Era o único mangá. Vai fazer 40 anos que você completou essa serialização, mas é uma obra também lida por outras gerações.

 

Ikeda: Eu fico feliz. Para mim, Berubara é uma obra representativa, mas creio que A Janela de Orfeu é a obra da minha vida. Como Berubara tinha a limitação de ser direcionada para alunas do Ensino Fundamental, não é como se eu tivesse conseguido desenhar tudo que queria, além de ter sido uma serialização curta que não chegou a durar 2 anos. Como me foi permitido desenhar o quanto quisesse em A Janela de Orfeu, creio ser a obra da minha vida.

 

Hayashi: Relendo-a, senti que há partes do contexto da época que têm paralelos com os acontecimentos de agora. Atualmente, se você olha para o mundo, devido às inovações tecnológicas - como a revolução de TI - e à globalização, a economia tem se desenvolvido. Porém, a diferença no valor de salários recebidos entre a população de um país está aumentando e, por isso, há países em que a política está mudando muito. A Europa do final do século XIX até a Primeira Guerra Mundial que serve de palco para A Janela de Orfeu também passou por uma situação em que a política sofreu um choque violento porque, devido à Segunda Revolução Industrial, a economia se desenvolveu, mas a diferença no valor dos salários dentro dos países aumentou. Há partes que parecem com a atualidade e, ao ler a obra, ela a faz pensar muitas coisas. Há alguma razão para você ter focado nessa época?

 

Ikeda: De vez em quando, eu sentia vontade de desenhar a Revolução Russa. Também há o fato de, quando criança, querer fazer faculdade de música e estar estudando para isso. Porém, como parei no meio do processo, quis tentar desenhar jovens vivendo nesse mundo de música. Como no período em que estava desenhando Berubara eu não tinha tanto dinheiro assim, não consegui nem fazer uma pesquisa prévia e eu nunca tinha nem viajado de avião. Por isso, nunca tinha ido à França. Graças a Berubara, passei a conseguir ir para a Europa e ver os lugares que de fato viraram cenários em minhas histórias. É devido a isso que se tornou uma obra memorável para mim.

 

Hayashi: Eu já vi uma entrevista na qual você fala que transformou Ratisbona em cenário da sua obra porque desceu do trem por acaso nessa cidade e gostou muito dela. Eu também fui para Ratisbona e lembro de ter ficado impressionada e pensado “ah, então é esse o tipo de lugar” ao ver a paisagem urbana antiga, que continua desde a Idade Média, e as catedrais.

 

Ikeda: Quando eu fui, olharam-me com curiosidade porque só tinham pessoas que nunca viram um japonês antes. Depois disso, eu recebi uma carta do Secretário do Turismo de Ratisbona dizendo: “Embora a cidade de Ratisbona não seja promovida como destino dentro da rota de turismo, ultimamente há muitas jovens vindo do Japão e todas elas têm o mesmo livro. Quando experimentei perguntar do que se tratava, elas todas estavam passeando pela cidade carregando a sua obra. Eu agradeço profundamente”. A biblioteca da Universidade de Ratisbona tem todos os volumes d’A Janela de Orfeu. Eu fiquei muito feliz porque para mim, em certo sentido, essa foi a primeira vez em que toquei na verdadeira Europa.

 

Hayashi: Eu acho que o charme de A Janela de Orfeu está em que não são apenas os protagonistas Julius, Klaus e Isaak, mas há também muitos personagens secundários excelentes cujas personalidades são proeminentes. Além disso, também me impactou mulheres desenhadas que agem fora da caixinha e são independentes, como Maria Barbara e Katharina. Naquela época, havia o movimento sufragista em lugares como a Inglaterra, mas mesmo com as mulheres querendo se tornar independentes, era na realidade um período complicado para isso. E estavam desenhadas de maneira vívida personagens como Maria Barbara que virou uma mulher de negócios e Katharina que virou chefe de enfermagem.

 

Ikeda: Pergunto-me se consegui desenhar mulheres que viveram segundo seus próprios ideais. Na verdade, creio que se tornar independente e viver na condição de mulher era, em certo sentido, deveras difícil naquela época.

 

Claudine...! que estava à frente de seu tempo.

 

Hayashi: Eu também gosto da obra Claudine...!. Pegar um assunto que hoje em dia é chamado de transgênero é algo que me deixou admirada pela sua visão perspicaz.

 

Ikeda: Fiquei surpresa quando você disse que gostava de Claudine...!. Além dessa obra, tenho também outros one-shots que tratam de temas como o bullying de crianças. Eu desenhei há bastante tempo, então me pergunto se com todas elas eu fui prematura. Porém, mesmo dentro dos meus one-shots, Claudine...! é o de que eu mais gosto.

 

Hayashi: É uma história muito dolorosa, não é? Há alguma razão para você ter voltado sua atenção para LGBTQs naquela época?

 

Ikeda: O caso de Claudine estava no livro de um psicólogo francês chamado Boss. Lá estava escrito que “não dá para tratar o caso de Claudine apenas como alguém transgênero, Resumindo: é alguém que nasceu com o sexo trocado”. Foi essa a deixa para mim.

 

Hayashi: Ah, foi isso. Atualmente, no Japão as condições são tais que os projetos de lei para a avanço do entendimento de pessoas LGBTQs não têm andado.

 

Ikeda: É a mesma coisa com a possibilidade de casais usarem sobrenomes diferentes. Não resolvem isso nunca. É extremamente lamentável que apenas o Japão esteja ficando para trás.

 

Para a materialização da igualdade entre os gêneros

 

Hayashi: Atualmente, o Japão ocupa a posição 120 no ranking Diferenças Globais entre Gêneros, sendo o último colocado entre os países desenvolvidos. Desde que você desenhou Berubara, a situação que envolve as mulheres talvez tenha melhorado, mas estamos muito atrasados quando comparados a outros países. Nesta situação, o que você acha que se deve fazer? O que é importante?

 

Ikeda: Eu acho que o sistema de cotas é importante. Ele é muito importante especialmente quando se trata de eleições. E acho que, ao mesmo tempo, as mulheres devem estudar apropriadamente. Quero que elas sejam capazes de debater em pé de igualdade com os homens.

 

Hayashi: Embora agora o eleitorado ativo do Japão consista em 52% de mulheres e nós sejamos maioria, é extremamente lamentável que haja tão poucas no nosso parlamento.

 

Ikeda: Assistindo à televisão, vê-se muitas mulheres debatendo questões econômicas e sociais. Por isso gostaria de vê-las candidatando-se, não é?

 

Hayashi: Nós conseguimos chegar a um acordo em que todos os ministérios e departamentos se comprometessem com uma regra de que não aceitariam apenas palestrantes homens nos eventos como simpósios feitos ou patrocinados pelo governo em outubro deste ano (2022). Com esses esforços se acumulando aos poucos, quero construir um ambiente em que mulheres excelentes participem das atividades.

 

Ikeda: Pensando no Período Edo, acho que os homens e as mulheres estavam em condição de igualdade, seja trabalhando na agricultura ou na pesca. Não havia donas de casa. No Japão, é antiga a história de homens e mulheres trabalhando juntos e dando apoio uns aos outros. Porém, seja em comunidades agrícolas, seja em comunidades pesqueiras, não acho que as mulheres tivessem consciência de serem mulheres trabalhando. Acho que havia uma igualdade de gênero esplêndida.

 

Hayashi; Tenho a impressão que o período do milagre econômico foi uma época em que mulheres podiam ser donas de casa em período integral e com isso fixou-se a ideia de divisão de trabalhos em que os homens trabalhavam fora e as mulheres trabalhavam com serviços domésticos.

 

Ikeda: Esse arranjo é um luxo (N.T.: no sentido de poder dar-se ao luxo de fazer algo). No momento, eu estou escrevendo um roteiro para uma ópera e a história se passa na Finlândia. Eu tinha colocado um cenário em que aparecia uma dona de casa, mas uma pessoa da Finlândia pediu para eu reescrever essa parte porque parece que os finlandeses não conseguem entender o que é uma dona de casa. O fato de as mulheres trabalharem é algo óbvio, então parece que eles não entendem a ideia de alguém não trabalhar e ficar em casa. Fiquei surpresa quando pediram que eu reescrevesse para uma mulher que tivesse emprego.

 

Hayashi: Por que não existem donas de casa na Finlândia?

 

Ikeda: Parece que sim. Fico me perguntando se ser dona de casa em período integral não é algo que está se tornando uma peculiaridade do Japão.

 

Hayashi: Como no Japão as famílias também têm se diversificado ultimamente, acho que esse modelo de donas de casa que apareceu no período Showa e a mentalidade que o acompanha deixaram de ser realistas. É como a questão das dificuldades econômicas de famílias monoparentais que surgiu durante a pandemia de coronavírus. Para começo de conversa, se você tem 600 mil casamentos anualmente, há 200 mil divórcios. Embora as famílias e o jeito que as mulheres vivem tenham mudado, esse sistema e várias estruturas permanecem velhos e não estão atualizados conforme o Período Reiwa.

 

Ikeda: Quando o homem e a mulher se casam e ficam com um único sobrenome, geralmente aquele adotado é o do homem, não é? Como eu já me divorciei, tive momentos angustiantes. É preciso passar pelas formalidades de voltar ao seu sobrenome antigo em vários lugares.

Além disso, acho estranho mudar o sobrenome porque, quando você nasce, seus pais pensam em um nome que combine com ele. Como é um nome que seus pais pensaram com todo o cuidado, você acaba querendo valorizá-lo, não? Hoje em dia, tem crescido o número de mulheres que trabalham solteiras porque a idade de casamento está bem mais tardia. Como nós vivemos em sociedade com o nosso nome como nossa identidade, acho que mudar isso traz muitas dificuldades.

 

Hayashi: Eu concordo muito. Obrigada por me permitir ter esta conversa preciosa com você hoje.

RETORNO DO BLOG E MUDANÇA DO NOME

Ontem, em um impulso, resolvi traduzir uma entrevista, coisa que não fazia há anos. Já tem algum tempo que venho considerando voltar com o blog, mas sempre enrolava e arrumava alguma desculpa. Só para explicar: o nome antigo deste site era Thai BL Dramas e, como o próprio título sugere, era dedicado a falar de BLs tailandeses.
Minha intenção era fazer tradução de reportagens em inglês e japonês sobre esse assunto e escrever críticas dos BLs de lá, mas desisti por um motivo bem simples: havia gente fazendo o mesmo trabalho e com mais recursos. O principal portal/Twitter era o Central Boys Love, que aparentemente tinha até gente fluente em tailandês na equipe. O grupo brigou, o portal e a conta não são atualizados há tempos, porém há outros substitutos fazendo ótimos trabalhos. Recomendo especialmente o Boys Love Hub e o Nunca Pause o BL.
Assim, decidi mudar o foco do meu blog. A partir de agora, traduzirei entrevistas que encontrar por aí com mangakás e atores, especialmente de BL e shoujo mangás. Daí a mudança de nome: Manga Yashiki.
Isto é uma Yashiki.

Yashiki é um termo que pode indicar tanto um terreno quanto uma casa, geralmente casas grandes (mansões). Sabe aqueles conjuntos de construções que você vê em produções de época japoneses? Então, isso é um yashiki. E como o foco é em mangás, veio-me o nome: "mansão" dos mangás. Gosto de imaginar a classe alta de períodos históricos fazendo reuniões não para adivinhar os sabores dos chás ou o cheiro dos incensos, mas para - anacronicamente, claro - ler seus quadrinhos favoritos.
Quanto tempo isso vai durar, não sei. Mas traduzi uma entrevista e tenho várias outras aqui com as quais posso trabalhar. Espero conseguir criar o hábito de fazer essas traduções.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

GMMTV anuncia suas séries para 2021

Peguei essa imagem usada na apresentação da GMMTV do Central Boys Love

 Todos os anos, a GMMTV (a “Globo” da Tailândia) faz eventos para anunciar as séries que serão exibidas ao longo do ano seguinte. Como desde 2016 há Boys’ Love sendo produzidos por ela, é bom sempre ficar de olho para ver se divulgam algo. Por exemplo, em 2018 foram anunciados Dark Blue Kiss e Theory of Love, em 2019, 2Gether: The Series etc.

 Esse ano, com o sucesso desse último, era de se esperar que dessem destaque às produções do gênero. Foram apresentadas quatro novas séries, além de outras três com personagens gays em papéis secundários. No total serão sete produções retratando histórias homoafetivas, quase metade de toda a programação anunciada por eles.

 Isso mostra o progresso rápido que tem ocorrido na televisão da Tailândia, já que há menos de seis anos a própria GMMTV tinha receio de produzir alguma série com personagens gays e ofender a “sensibilidade” do público. Foram o sucesso e o dinheiro que tornaram a situação atual possível. Pelo que sei, a audiência das séries não é muito alta. Porém o sucesso nas plataformas de streaming e a popularidade dos atores nas redes sociais compensam, ou eles não estariam fazendo cada vez mais adaptações.

 Das séries com personagens gays secundários, a maior surpresa foi a adaptação de Antique Bakery, que se chamará Baker Boys. Eu não lembro agora se o que vi foi o anime ou o dorama japonês, mas é bem legal. Fico na torcida para que a versão tailandesa faça sucesso. Pretendo dar uma olhada quando sair.

 Além dos BLs, eles apresentaram os doramas convencionais, dentre os quais o principal é a adaptação de Hana Yori Dango, que se chamará F4 Thailand: Boys Over Flowers. Não gostei muito do trailer, não, mas eu não sou público alvo dessa série. Só fico feliz pelo Bright e pelo Win. O arrasa-quarteirão que foi 2Gether gerou frutos para os dois. Espero que a série seja boa e traga ainda mais sucesso para ambos, mesmo não tendo intenção de vê-la.

 A melhor parte desse evento é que lançam os trailers e é possível ter um aperitivo do que virá por aí. Só vou comentar aqui as quatro séries Boys’ Love, mas, caso queiram ver, aqui estão os links para os trailers de F4 Thailand: Boys Over Flowers e Baker Boys. 

Fish Upon The Sky



 Adaptação de um romance da mesma autora de 2Gether: The Series e Theory of Love, é aquele velho cliché da menina/uke “feia (o)” embelezando-se para atrair o interesse amoroso. Geralmente em histórias assim – pelo menos das que eu vi –, a transformação acontece no meio do filme ou série ou mangá. Aqui será desde o começo e o alvo inicial de interesse será abandonado para o protagonista ficar com quem antes era seu rival, então há um ar de novidade. Foi talvez o trailer de que mais gostei. Bem leve e com as piadas de duplo sentido que estão ficando cada vez mais frequentes nessas séries.

Enchanté

 Protagonista volta da França para estudar na universidade que pertence ao seu pai. Chegando lá, ele começa a trocar mensagens através de um livro didático de francês na biblioteca da faculdade com um anônimo que se autodenomina Enchanté (prazer em conhecê-lo, em francês). A partir daí, começa um imbróglio com quatro pretendentes apresentando-se como o autor das mensagens, fora o seu melhor amigo que o ajuda a lidar com a situação e parece ter sentimentos por ele também. Qual deles será o verdadeiro? É o harém reverso dos shoujo mangas, em que a protagonista é disputada por vários homens lindos. Parece ser uma história fofa e com potencial para agradar ao público. Veremos se conseguirá ou não. 

Not Me

 Provavelmente a série mais aguardada dentre as anunciadas por ser protagonizada por um dos quatro “casais realeza” dos BLs da GMMTV: Off e Gun, protagonistas de Theory of Love. O trailer destoa bastante das outras séries. Bem mais dramático e fora do lugar comum “estudantes ricos de faculdades de engenharia ou medicina”. A Tailândia realmente está tentando evoluir nas suas narrativas para se equiparar à qualidade dos outros países. Definitivamente irei assistir, mas confesso que trama com irmãos gêmeos trocando de lugar não me animam. 

Bad Buddy


 Por último, temos essa série que deixou os fãs de BL em polvorosa. É o trailer mais visualizado no canal do Youtube da GMMTV. Eu não assisti aos doramas protagonizados pelo ator Nanon Korapat, mas ele é famoso. Pelo que entendi ninguém esperava que fossem colocá-lo como par amoroso do outro protagonista – Ohm Pawat – em um Boys’ Love (eles aparecem apenas como amigos em outra série). Queriam que ele fizesse casal com outro, aparentemente, mas mesmo assim ficaram muito felizes com a notícia. A história é bem “Romeu e Julieta”: filhos de famílias rivais que deveriam se odiar apaixonam-se. A diferença aqui é que os dois são muito amigos em segredo, mas os sentimentos de ambos começam a mudar para amor.

 Enfim, são essas as séries anunciadas. Essas são só as da GMMTV. Fora que eles também estão terminando A Tale of Thousand Stars que era para ter sido exibida esse ano, mas teve suas gravações interrompidas devido à pandemia. Há a possibilidade de acrescentarem outras à grade que não estavam previstas anteriormente, como foi o caso de Tonhon Chonlatee esse ano. É isso.


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