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segunda-feira, 18 de novembro de 2024

ARTIGO ESPECIAL: SHIMIZU REIKO FALA SOBRE SUA CARREIRA COMO MANGAKÁ E A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DE SEUS ORIGINAIS

Há mais ou menos um ano, Shimizu Reiko fez uma exposição em comemoração aos seus 40 anos de carreira e o Comic Natalie publicou um artigo especial com uma entrevista com a autora. Eu o li ano passado e enrolei esse tempo todo para traduzir. Primeiro porque tradução sempre dá trabalho mesmo. Eu traduzo tudo manualmente, sem tradutor online e muito menos inteligência artificial, e falta-me ânimo para fazer às vezes (acabo lendo e deixando o resto sempre para depois). E segundo porque é um artigo enorme, conforme você verão a seguir.

Agora, sinceramente, não sei por que o Comic Natalie não publica mais esse tipo de coisa. Fizeram um com a Kanno Aya e a Hagio Moto – tradução feita por mim aqui – e publicaram esse com a Shimizu, mas não consegui achar outros na época, não. Quem sabe agora, um ano depois, tenha alguma coisa. Procurarei e, caso encontre, traduzirei aqui. Prometo que não demorarei mais tanto tempo.


Uma última nota: os nomes estão todos em ordem japonesa  sobrenome primeiro, seguido de nome próprio. Creio que boa parte do que traduzi está nesse modelo, e resolvi que farei assim sempre a partir de agora porque a ordem invertida foi uma imposição americana na ocupação feita por eles após a Segunda Guerra Mundial. Como eles e o chamado Ocidente (e nós também, por tabela) respeitam a ordem original quando se trata dos chineses e coreanos (Xi Jinping, Kim Jong-um etc), não vejo por que deveria fazer diferente com os japoneses. Algumas revistas acadêmicas americanas têm adotado essa postura também. Caso queiram mais detalhes sobre isso, recomendo o vídeo do Ilha Kaijuu. Segue o artigo.

 


Shimizu Reiko – Exposição de Arte

(Em comemoração a 40 anos de trabalho)

Shimizu Reiko, que completa 40 anos de trabalho artístico, fala sobre os melhores aspectos de sua primeira exposição

 

O evento “Shimizu Reiko – Exposição de Arte”, em comemoração aos 40 anos de carreira da artista, abrirá a partir de 23 de novembro no Sunshine 60 Observatory Tenbo Park. Desde que estreou em 1983 com a obra “Sansaro Story”, a mangaká encantou as leitoras com obras de suspense bem construídos que tiveram por tema ficções científicas, canibalismo, assassinatos grotescos, dentre outros, dando vida a linhas belas e fortes. Nesta exposição de arte, além de ilustrações coloridas de obras representativas como “Kaguya–hime”, “Tsuki no Ko – MOON CHILD” e “Himitsu – TOP SECRET”, haverá também ilustrações feitas antes de sua estreia como mangaká colorindo o local.

Para comemorar a abertura da exposição, o Comic Natalie entrevistou Shimizu. Ela nos expôs suas diversas memórias destes 40 anos, indo desde sua época de menina em que se divertia só de ter um papel branco e um lápis, passando pelo período de pré–estreia como mangaká no qual desenhava suas histórias para enviar às revistas enquanto trabalhava em uma empresa, até o pesadelo que a afligiu na noite anterior à divulgação de “Himitsu – TOP SECRET”. Além de apontar os pontos de destaque de sua exposição, a autora fala sobre o lado oculto de continuar desenhando seus trabalhos, ainda hoje, de maneira completamente analógica.

Coleta de dados/texto: Oda Makoto.

 

“Só de ter papel branco e lápis, eu já me divertia” – De sua infância até sua estreia

 

– Parabéns pelos seus 40 anos como mangaká! Nesta entrevista, gostaria de explorar as suas origens. Que tipo de criança você foi?

 

Desde criança, eu gostava da atividade de desenhar no papel por si mesma. Só de ter um papel branco e um lápis, eu já me divertia desenhando.

 

Ilustração feita por Shimizu Reiko antes de sua estreia

– Que tipo de mangá você lia nessa época?

 

No tempo do ginasial, Fumizuki Kyōko e Hagio Moto foram minhas duas grandes influências. Porém, como uma amiga muito próxima era uma grande fã da Hagio, eu disse que a concederia a ela e ficaria com a Fumizuki (risos).

 

– Que duas escolhas mais luxuosas (risos)! Onde, precisamente, você acha que fica o charme das obras da Fumizuki?

 

Ela é uma excelente desenhista. Como ela desenhava a vegetação, as flores, a ambientação de maneira muito rica, eu ficava aguardando todos os meses com bastante expectativa para comprar as revistas em que suas obras eram publicadas. Eu também gostava muito de Ichijō Yukari e Ōya Chiki.

 

– Só mangakás que são excelentes desenhistas, né?

 

É verdade. Eu apreciava os enredos também, mas – se fosse para escolher – diria que era mais frequente que os desenhos me encantassem. Uma pessoa que não liga muito para desenhos satisfaz–se com apenas uma leitura geral. Ela não compraria o encadernado, né?

 

– Naquela época havia também muitas mangakás que estreavam enquanto ainda eram estudantes.

 

Naquele período havia uma imagem de que pessoas de talento como Narita Minako, Kuramochi Fusako etc estreavam todas enquanto ainda estavam no colegial. No passado, a Ichijō e a Satonaka Michiko também haviam estreado quando eram colegiais. Por isso, achava que seria ruim se eu também não estreasse com essa idade e até submeti minhas obras nos concursos, mas não consegui ganhar os prêmios de estreia.

 

– Como você passou seu tempo até que isso acontecesse?

 

Eu trabalhei no escritório de uma empresa que manufaturava roupas em Kyushu. Como a filial ficava a cinco minutos a pé da minha casa, pensei que seria bom. Quando o trabalho acabava, os outros iam juntos passear por aí, mas eu voltava direto para casa e ficava desenhando as obras para mandar para editoras. Por isso, eles ficavam curiosos sobre o que eu estaria fazendo.

 

– Foi precisamente aí, no meio do ano de 1982, que você recebeu o prêmio honorário da 9ª edição do concurso “Lala Manga High School” da Hakusensha por sua obra “Foxy Fox”, não é?

 

Eu entrei nesta empresa com 18 anos e parei com 20. Porque se você trabalhasse por um período de 2 anos, receberia uma indenização ao sair (risos). Depois disso, como ainda não estava decidido quando seria minha estreia, eu fiquei o tempo todo em casa desenhando. Num ritmo de um desenho por semana, no estilo de obra estética. Não tinha nenhuma intenção de publicar em algum lugar, mas era divertido fazê–los.

 

“Se você desenhar direito, as pessoas vão entender” – a obra “22XX” que se tornou seu ponto de virada.

 

– No ano seguinte, “Sansaro Story” foi publicado na revista Lala e você conquistou a tão desejada estreia.

 

Mas, naquela época, eu ainda não tinha certeza sobre o que queria desenhar. Como eu virei mangaká porque queria desenhar, era ruim em pensar em histórias. Ficava pensando se não seria melhor alguém fazer o roteiro para mim.

 

– Essa situação continuou até quando?

 

Até desenhar “22XX” em 1992. Até ali, a direção que eu queria seguir ainda estava meio vaga e tenho a sensação de que com ela consegui decidir um pouco meu estilo. Foi a primeira história sombria desenhada por mim.

 

– O tema dela é o canibalismo. Por mais que o nível de tolerância da Lala seja alto, publicar uma obra dessas deve ter sido uma aventura.

 

Meu editor era muito compreensivo e disse para publicarmos como eu havia desenhado. E então a reação das leitoras também foi muito boa. Essa obra fez–me perceber pela primeira vez que, se eu desenhasse direito, as pessoas entenderiam.

 

Imagem de "22XX"

– “22XX” é uma obra–prima não apenas do shoujo mangá, mas também da História da ficção científica japonesa. Ela aparece bastante como tópico nas redes sociais também.

 

Eu tenho uma ligação emocional com essa obra porque foi ela que se tornou meu ponto de virada. Às vezes, fazendo “egosearch”, ainda encontro pessoas que gostam dessa obra e isso me deixa feliz. Porém elas erram bastante o título (risos). Escrevem “2200” etc...

 

 O correto é “22XX (nii-nii-ekkussu-ekkussu)”! E então, seguindo a trilha deixada por “22XX”, há também “Kaguya-hime” e “Himitsu – TOP SECRET”.

 

Eu ficava me perguntando se não teria problema escrever obras em que aparecem tantos cadáveres dentro do gênero shoujo mangá. Estava constantemente com medo de que todos fossem rejeitá-las dizendo que eram macabras e assustadoras. No caso de “Himitsu – TOP SECRET”, até que a obra fosse anunciada eu gemia dormindo todas as noites. Ficava pensando dentro dos sonhos que não deveria fazer um mangá tão sério e macabro, e que era preciso desenhar personagens com maior probabilidade de se tornarem populares.

 

Ilustração colorida de "Himitsu  TOP SECRET"

 Mas, mesmo quando você desenha uma cena de assassinato, há nela uma enorme beleza, como se a elegância ali habitasse. Até “Kaguya-hime” os mangás eram publicados na edição de bolso em brochura da “Hana to Yume Comics”, mas, com o aumento do formato a partir de “Himitsu – TOP SECRET”, passou a ser possível apreciar melhor o charme dos seus desenhos e seus fãs devem ter ficado felizes.

 

O que eu lembro de “Himitsu – TOP SECRET” é que, quando estávamos preparando o encadernado do volume um, meu editor daquela época quis fazer uma edição de luxo ao estilo do “AKIRA” de Ōtomo Katsuhiro, mas ele tomou uma bronca de seu chefe (risos).

 

 A série spin-off de “Himitsu – TOP SECRET” chamada “Himitsu – season 0” finalmente terá sua serialização reiniciada na edição da Melody que estará à venda em 27 de outubro.

 

Sim, acho que depois de dois anos e meio.

 

 Nesse intervalo da serialização, houve tanto a pandemia de coronavírus quanto as guerras. Imagino que tenham passado diversas coisas por sua cabeça. Como foi?

 

Foi doloroso quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Porque eu já tinha visitado Kiev para coletar dados para “Tsuki no Ko – MOON CHILD”.

 

 Foi justamente durante a serialização?

 

Creio ter sido bem no meio da serialização. Havia uma parte da história que eu achava que tinha de ir para Kiev para entender direito, então eles me permitiram ir.

 

 A existência de Chernobil representa uma chave importante para essa história sua. Você chegou a ir perto do lugar em que ocorreu o acidente nuclear?

 

Como eu estava acompanhada por alguém nos estágios iniciais de gravidez, nós não fomos por termos ficado um pouco receosas. Mas em Kiev e seus arredores eu ouvi histórias das pessoas locais e coletei dados sobre os grupos de balé de lá. Como quem me acompanhou tinha conexões com pessoas relacionadas ao isso, tenho boas memórias de visitar escolas e grupos de balé. Kiev é uma cidade muito bonita.

 

Imagem de "Tsuki no Ko  MOON CHILD"

 “Tsuki no Ko” (A Criança da Lua) é um exemplo perfeito do fato de que as crianças têm um papel importante nas suas obras. Em “Himitsu – season 0”, elas são uma chave essencial para a história, né? Você faz isso intencionalmente?

 

Como o impacto é maior quando uma criança é a agressora ou a vítima, creio que acabe recorrendo a esse recurso. Na história que escrevi na retomada da serialização, eu me baseei na genética do comportamento, então aparecerá uma criança também.

 

 O que seria a genética do comportamento?

 

Falando de forma que se entenda facilmente, pesquisa-se em que nível nossa personalidade, nossa inteligência e nosso comportamento são influenciados por nossos genes. Nos episódios que escrevi até o volume dez, talvez dê para se dizer também que escrevi variações de exemplos da genética do comportamento.

 

“O lado irretornável também é algo que dá sabor às coisas analógicas” – os melhores aspectos de sua primeira exposição

 

 Nós escutamos várias histórias suas e agora chegou a vez de finalmente ver de perto numerosos desenhos feitos por você ao longo de 40 anos nesta exposição de arte. A abertura do evento está finalmente próxima a nós, mas gostaria que nos contasse o que levou você a planejar fazer isto?

 

Eu já vinha desenhando “Himitsu – TOP SECRET” por um longo período de tempo e também tinha vários desenhos acumulados, então falei para meu editor que queria lançar um “artbook”. Ele concordou comigo e eu estava na expectativa quando ele me volta e diz que tinham decidido fazer uma exposição. Eu falei “Ei, a escala aumentou muito!” (Risos)

 

 É surpreendente que esta seja sua primeira exposição.

 

Alguns anos depois de minha estreia, o pessoal do meu fã clube alugou uma galeria e fez uma em escala pequena, mas esse evento grande, oficial, é a primeira vez.

 

 A seleção dos desenhos que serão exibidos foi feita por você mesma, não é?

 

Sim. Se tivesse seguido apenas o meu gosto pessoal, teriam sido escolhidas somente obras parecidas umas com as outras, então eu propositalmente selecionei de forma a ter variedade. Por exemplo, na época de “Kaguya-hime”, eu gostava de ornamentos brilhantes. Nesse período eu gostava de fazer desenhos excessivamente detalhados, então me dedicava ao máximo em desenhar roupas que pareciam trajes de realeza.

 

Ilustração colorida de "Kaguya-hime"

 Como um grande número de mangakás passou e fazer suas obras digitalmente, não há mais muitas coisas que possamos chamar literalmente de desenhos originais. Neste momento, o próprio fato de conseguirmos fazer uma exposição de originais é por si só valioso. Você continua, mesmo agora, trabalhando em modo totalmente analógico?

 

Sim. Há mais ou menos dez anos, recomendaram-me que ao menos colorisse as obras digitalmente, porque assim poderia corrigir caso errasse etc e eu cheguei a estudar. Porém, se eu olho a tela por uma hora inteira já começo a passar mal e não dá para continuar. Eu não consigo olhar sem cessar para uma tela que emite luz.

 

 Há alguma dificuldade decorrente do analógico?

 

Conforme a digitalização avança, a demanda por ferramentas analógicas vem diminuindo e está desaparecendo rapidamente. Eu usava as placas de desenho da marca Crescent usadas pela Narita Minako porque eles eram muito fáceis de desenhar e limpos, mas ficou difícil obtê-los tanto pela internet quanto por lojas de materiais artísticos. Agora eu uso as placas da marca Canson. Mas me incomoda um pouco as irregularidades que granulosamente surgem parecendo as aberturas de um tatame. Além disso, as retículas usadas em manuscritos monocromáticos serão descontinuadas rapidamente, então eu me preocupo. As tintas coloridas da LUMA também sumiram...

 

 Em meio a isso, o lado da técnica também sofreu alterações, não é?

 

Por exemplo, as linhas principais da capa do volume dez de “Himitsu – season 0” foram feitas a lápis. Desses comuns como o H e o HB. Como eles dão um efeito final claro e leve, ultimamente só tenho usado esses. Eu desenho levemente os traços principais com eles e finalizo com a tinta colorida. Na verdade, como na época de “Tsuki no Ko” eu também fazia as linhas centrais com lápis coloridos e depois colocava as cores, pode-se dizer também que retornei novamente a isso.

 

Ilustração colorida que se tornou a capa do volume 10 de "Himitsu  season 0"

 Dependendo do artista, há aqueles que mudam seu estilo conforme os anos passam, mas no seu caso, embora sua técnica tenha se alterado, seu traço tem se mantido consistente.

 

É verdade. Nestes quarenta anos, creio que ele não se alterou muito. Eu já não consigo desenhar de nenhuma outra forma.

 

 Você vai na exposição de outros mangakás, às vezes?

 

Esses tempos atrás fui na exposição de Matsunae Akemi. Eu uso a coloração de suas obras como referência porque elas são muito bonitas. Eu recortava as páginas da revista Bouquet (Shueisha) e as conservava em pastas. Além disso, claro, havia uma pessoa extraordinária como Uchida Yoshimi. Como eu posso dizer? Ela publicava coisas em que cada umas das páginas parecia uma obra de arte e, por isso, tendo pessoas como ela na minha frente, eu achava que ainda tinha um longo caminho a percorrer.

 

 Onde você acha que está a peculiaridade dos seus desenhos?

 

Huuum, talvez no fato de que eu desenhe muitas plantas. Eu gosto de plantas desde sempre. Se eu desenho esse tipo de coisa, sinto-me estável. E acho que mais do que flores, são as folhas que causam isso. Como os personagens principais de “Himitsu – TOP SECRET” são todos homens, as folhas se tornaram mais numerosas do que as flores. Eu gosto de pintores como Alfons Maria Mucha e Maxfield Parrish e aprecio a forma como eles desenham as plantas usando-as como ornamento. Talvez eu gaste mais tempo desenhando-as do que gasto fazendo seres humanos.

 

 Falando nisso, você também exibirá desenhos que fez antes de sua estreia, não é?

 

Sim. As coisas que desenhei no período entre o meu pedido de demissão da empresa e o meu debute como mangaká que falei lá no começo. Eu costumava deixá-las guardadas naqueles álbuns de fotografia antigos. Após minha estreia, quando parecia que não conseguiria fazer uma coloração dentro do prazo, eu já cheguei a reusar algumas dessas imagens (risos).

 

 Há algum outro material raro na sua exposição?

 

O baralho completo de tarô que eu fiz para a Lala.

 

Ilustração das cartas de tarô publicadas pela Lala entre março e abril de 1993

 Isso é incrível!

 

No começo eu só havia feito os arcanos maiores, mas depois desenhei o resto que faltava e comercializei. Acho que já se vão uns trinta anos disso.

 

 Por fim, você poderia nos apresentar quais são, na sua opinião, os pontos que mais valem a pena ser vistos desta exposição?

 

Eu mesma, antes de entregá-los ao meu editor, tirei cópias coloridas dos desenhos de que gosto e os guardei. Nós planejamos para que esses trabalhos sejam exibidos. Um dos que mais gosto particularmente é, por exemplo, o desenho com os galhos que virou a capa do volume dez de “Himitsu – TOP SECRET”.

 

 O desenho com as linhas principais feitas a lápis mencionado por você agora há pouco, né?

 

Isso. A sombra das folhas aparece na camisa, então eu precisava desenhar, da mesma forma, uma quantidade suficiente no rosto, porém, se fizesse muito e falhasse, acabaria entrando num ponto de não-retorno. Por isso lembro de ter colocado essa sombra com medo. Se você coloca cores muito fortes no rosto, já não dá para voltar atrás. Eu coloquei as sombras no pescoço num ímpeto só, mas no rosto tive dificuldade.

 

 Essa intuição é algo que decorre também do analógico.

 

É verdade. Nesta situação, se fosse digital, eu tentaria desenhar primeiro e, mesmo que falhasse, conseguiria retornar ao ponto anterior, mas no analógico não consigo fazer isso. Porém, é esse sentimento de irretornabilidade, é nesse aspecto de tudo-ou-nada, que está o lado bom do analógico.

 

 Espero que muitas pessoas consigam apreciar ao máximo o charme dos seus desenhos que existem como coisas e não como dados. Parece que, como presente para os visitantes, haverá uma mensagem especial dela, então fiquem na expectativa.

 

Eu estou com um pouco de vergonha... (Risos) Mas aguardarei ansiosamente também a abertura da exposição.

 

Perfil

Shimizu Reiko

 

Nascida em Tóquio a 26 de março, criada em Kumamoto. Estreou em 1983 com a obra “Sansaro Story”. Com seu traço elegante e suas histórias de ficção científica em grande escala que usaram como tema fábulas e lendas, atraiu muitas leitoras e, em 2002, ganhou o 47º Shogakukan Manga Award na categoria shoujo por “Kaguyahime”. Seus outros trabalhos de destaque incluem “Tsuki no Ko – MOON CHILD”, no qual retrata a lenda da Pequena Sereia e seu medo de se tornar uma mulher adulta; “Himitsu – TOP SECRET”, suspense que se passa em um futuro próximo transformado em anime em 2008 e filme live action em 2016; e a série Jack e Elena, a qual tem por protagonistas esses personagens humanoides em obras de ficção científica como “Ryū no Nemuru Hoshi” e “22XX”, dentre outras. Desde 2015, está publicando o spin-off de “Himitsu – TOP SECRET” chamado “Himitsu – season 0” na revista Melody (Hakusensha).

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

ENTREVISTA DE NAKAZAWA MOTOKI E KOBAYASHI TORANOSUKE PARA O CANAL TV TOKYO (PARTE 2)

Segunda parte da entrevista. O link para o texto em japonês está aqui. Já a parte um está aqui, caso queiram ler (ou reler).

 

MUDANÇA NA RELAÇÃO DOS DOIS “QUERO VER QUE TIPO DE INTERPRETAÇÃO ELE ENTREGARÁ NO FUTURO?” “PRECISO CORRESPONDER A SUAS EXPECTATIVAS”

 

Expectativas em relação às gravações?

 

- Há algo que tenha marcado vocês nas gravações que ocorreram até agora?

 

Nakazawa: O que me marcou foi o clímax do primeiro episódio. Foi a primeira cena que eu filmei logo que começaram as gravações e, como não tinha interpretado o Kouhei até ele chegar naquele momento, gravei imaginando os sentimentos se conectando. Nessa cena, acho que dá para ver as expressões puras dos dois.

 

Kobayashi: Neste dorama, há muitas cenas em que apareço comendo. Essas cenas foram feitas em um dia, então, embora fossem gostosas, eu fui ficando cheio. Durante a minha performance, eu me energizei e comi com gosto, mas, assim que acabavam as cenas, ficava exausto olhando para um único ponto (risos).

 

- Há algo que vocês estejam animados para gravar daqui para a frente?

 

Nakazawa: O Kouhei, que tinha o coração fechado para os outros, vai abri-lo por causa do Taichi, então quero ver que tipo de interpretação o Tora vai entregar.

 

Kobayashi: Preciso corresponder a essas expectativas, né? (Risos) Quanto a mim, embora elas botem bastante pressão, eu estou animado para gravar as cenas em que os sentimentos se movem de maneira intensa e as cenas longas.

 


- As gravações ainda vão continuar, mas há algo que vocês gostariam de dizer um para o outro neste momento?

 

Nakazawa: Como é um relacionamento em que conseguimos dizer tudo o que queremos um ao outro sem reservas em relação a nossa interpretação, não há nada específico... Ah, é mesmo! Quando as gravações acabarem, vamos à Disney!

 

Kobayashi: Eu estava falando que queria ir o tempo todo, né? Acho que é bom irmos quando o tempo estiver mais fresco. No outono, a depender das nossas agendas, talvez lá para outubro.

 

- Por fim, qual o charme desta obra que vocês sentiram ao ler o mangá original e o roteiro, e qual o ponto de destaque deste dorama?

 

Kobayashi: Tanto o Kouhei quanto o Taichi são gentis, mas essa gentileza não se encaixa bem, às vezes se desencontrando e às vezes colidindo... Eu acho que essa gentileza e essa visão de mundo leve e calorosa desenhadas são pontos bons.

 

Nakazawa: Se aparecessem mais pessoas como o Taichi, acho que o mundo se tornaria mais gentil. Ele é alguém que inconscientemente diz palavras que pessoas passando por momentos difíceis desejam ouvir, não é apenas em relação ao Kouhei. Se ao verem este dorama, uma gentileza como a do Taichi se expandisse, eu ficaria feliz.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

ENTREVISTA DE NAKAZAWA MOTOKI E KOBAYASHI TORANOSUKE PARA O CANAL TV TOKYO (PARTE 1)

Mais uma entrevista com os atores de Hidamari ga Kikoeru, desta vez publicada no site do próprio canal que exibe o dorama, o TV Tokyo. Estando o original em duas partes, resolvi separar a tradução também. Tentarei publicar a parte dois amanhã. Caso queiram tentar ler em japonês, o link está aqui. As fotos são todas do site, claro. A entrevista foi feita dia 3 de julho.

 

NAKAZAWA MOTOKI X KOBAYASHI TORANOSUKE PROTAGONIZANDO JUNTOS “COMO JÁ TÍNHAMOS CONSTRUÍDO UMA RELAÇÃO, SENTI-ME SEGURO” “EU CONFIO NELE DESTA VEZ TAMBÉM”

 

Hidamari ga Kikoeru, da faixa Dorama NEXT (todas as quartas-feiras, 0h30). Uma incerta história de amor humana, embora dolorosa, entre um estudante universitário com deficiência auditiva e seu colega que se voluntaria para ser seu anotador em classe. Entrevista com os protagonistas, Nakazawa Motoki e Kobayashi Tonarosuke!

 

“Como já tínhamos construído uma relação, senti-me seguro”

 

- Vocês já tinham trabalhado juntos antes, e agora vão ser protagonistas pela primeira vez juntos em um dorama com transmissão terrestre. O que estão sentido em relação a esse protagonismo?

 

Nakazawa: Estou muito emocionado por poder protagonizar com o Tora. Há a ansiedade por ser minha primeira vez protagonizando um dorama, mas, como já tinha me dado bem com ele na outra obra que fizemos juntos e tínhamos construído uma relação, sinto-me seguro.

 

Kobayashi: O que eu senti ao conseguir, a partir do ano passado, trabalhar com pessoas famosas em papéis centrais foi que o exemplo delas era muito legal. Além da pressão por ser protagonista, há também muitas responsabilidades e deveres. Achava que para mim isso ainda era algo impossível, porém, conforme fui acumulando trabalhos, passei a pensar que talvez acontecesse alguma transformação em mim caso tivesse uma experiência como protagonista e foi nesse período que recebi esta história de agora.

Quando ficou decidido que eu protagonizaria a novela, consultei também o Suzuki Ryohei (Suzuki foi protagonista do dorama Gekokujo Kyuji, em que Kobayashi atuou). Construir uma atmosfera boa no set de gravações em que todos nos esforcemos para fazer esta obra é o meu desejo.

 

- Qual conselho você recebeu do Suzuki Ryohei?

 

Kobayashi: Isso é segredo (risos). Ele mostrou-me sua postura enquanto protagonista no set em que trabalhamos. Ele é amado por todo mundo em todos os lugares que vai, então, enquanto me lembro desses seus modos, quero poder me tornar como ele. Quero ser um protagonista que consegue liderar o set com um clima bom e também me esforçar na atuação.

 

- Vocês reforçaram a impressão que tinham um do outro no set de filmagem desta obra? Há algo que tenham percebido?

 

Nakazawa: Desta vez, o Tora está animando o set enquanto intérprete do Taichi. No nosso outro trabalho, eu comentei que, ao vê-lo junto com todo mundo, ele não parecia ser alguém mais velho, então essa impressão de que ele é uma pessoa que passa uma sensação diferente no set a depender do papel em que atua é uma descoberta nova.

 

Kobayashi: Desde nosso último trabalho juntos eu já tenho pensado que o Motoki é alguém sério. O Kouhei desta obra que ele está interpretando é um papel difícil de um portador de deficiência auditiva, mas parece que ele foi a vários lugares a fim de construir seu papel e, por isso, estou confiando nele agora também. É por ele apresentar esse lado que eu também sou grato.

 


- Em que parte dele você sente a seriedade?

 

Kobayashi: Ele é sempre sério. Quando tenho tempo livre, fico pensando em como posso guardar minhas energias, mas o Motoki fica fazendo coisas tipo ler o roteiro. Eu acho impressionante.

 

Nakazawa: Tanto na obra anterior quanto nesta, eu vejo o Tora através de seus personagens, então mesmo agora ainda estou tentando descobrir como ele é na realidade. Acho que seu eu verdadeiro é aquele que aparece dentro do micro-ônibus usado por nós para irmos aos locais de gravação (risos).

 

Kobayashi: Mas no ônibus eu fico dormindo na maior parte do tempo (risos).

 

Nakazawa: Eu também já pensei que embora anime o set de filmagens, na realidade ele é alguém normalmente calmo. Quero ver como seria quando está em casa ou com amigos próximos. Como você é?

 

Kobayashi: Talvez eu não fale muito (risos). No set de gravações atual, eu faço um esforço consciente para conversar com todo mundo, mas, se fosse para escolher, diria que minha essência é mais próxima do Kouhei que do Taichi. Porém, como eu acho que seria ruim se as pessoas vissem essa minha essência no Taichi, eu fico alongando no set esse ponto alegre dentro de mim. Por isso eu falo que estou cansado quando estamos voltando no ônibus após o fim das filmagens (risos).

 


- O que você faz para retirar esse cansaço?

 

Kobayashi: Eu durmo, basicamente!

 

- Sobre o que vocês conversam quando estão juntos?

 

Nakazawa: No momento, nós conversamos bastante sobre esta obra, né? Acho que nós nunca conversamos muito sobre nossos hobbies. Você gosta do quê, Tora?

 

Kobayashi: Videogames.

 

Nakazawa: Nós dois temos como ponto em comum gostarmos de esportes, né?

 

Kobayashi: É verdade. Ah, ultimamente eu tenho me interessado por produtos de beleza! Neste set de gravações, todos os dias eu uso máscaras faciais, vaporizadores faciais e eles me deixam usar também outras máquinas de tratamento de beleza. Em casa eu sempre lavo o rosto e uso a máscara. É bom usá-la todos os dias de manhã e de noite.

 

Nakazawa: Você fala isso toda hora, né?

 

Kobayashi: E mesmo assim, nasceu uma espinha em mim. Fiquei chocado (risos).

 

Nakazawa: Por influência sua, eu também comecei a usar máscaras faciais (risos).

 

Usando na obra as histórias que ouviram de pessoas com deficiência auditiva

 


- O Nakazawa interpreta Sugihara Kouhei, um estudante universitário com deficiência auditiva, e o Kobayashi interpreta Sagawa Taichi, um estudante universitário que conhece Kouhei ao se voluntariar para ser anotador, que é quando você escreve o conteúdo das aulas para alunos que têm impedimentos auditivos. De que forma vocês se prepararam para esses papéis?

 

Nakazawa: Antes das gravações iniciarem, eu recebi a oportunidade de ouvir histórias de pessoas com deficiência auditiva, e escutei várias coisas, inclusive relatos tristes. Como parece que o nível de audição varia conforme a pessoa, eu construí o personagem lendo o roteiro e a obra original e comparando a situação do Kouhei com as histórias que ouvi.

 

Kobayashi: O Taichi tem uma personalidade fundamentalmente animada, mas esse “fundamentalmente” é difícil de transmitir. Se fosse um personagem sombrio, teria como construí-lo a partir do fato de todos nós já termos passado por situações em que fomos machucados. Por isso, entrando no set de gravações, eu tentava ser alegre como o Taichi.

 


- Não apenas Nakazawa, como também Kobayashi escutaram antes das gravações histórias de pessoas com deficiência auditiva. Há algo que vocês têm usado na hora de atuar? Ou há algo a que vocês têm dado atenção nestes momentos?

 

Nakazawa: Falaram-me que os sons que normalmente ouço não são ouvidos ou então são difíceis de ouvir, como se houvesse criptografia misturada na forma de escutar as coisas. Eu tenho atuado mantendo isso em mente. Só que quando ouço um som alto, acabo reagindo por reflexo e isso não é o Kouhei, né? Por isso, quando há um som alto, tenho buscado atuar com reação de perplexidade, não sabendo de onde o som veio.

 

Kobayashi: De acordo com as histórias que ouvi de quem tem deficiência auditiva, há tanto pessoas que têm mais facilidade para ouvir sons altos, quanto pessoas que têm mais facilidade para ouvir sons baixos, variando conforme cada um. Como para o Kouhei é a voz do Taichi que é fácil de ouvir, eu achei que poderia manter minha voz no tom natural. Porém, como há uma fala do Kouhei em que ele diz que é difícil escutar vozes que estão atrás dele, eu conscientemente falo posicionando-me onde o Kouhei possa ver a boca do Taichi.

 

Nakazawa: Quando encontrei a autora Fumino Yuki antes do início das gravações, ela pediu-me para não retratar pessoas com deficiência auditiva como se fossem dignos de pena. Eu também penso dessa forma, e todo mundo envolvido com este dorama tem essa consciência. Seria bom se esta obra se tornasse uma oportunidade para as pessoas descobrirem o que é ter dificuldade auditiva.

 

Na segunda parte, serão abordadas coisas como o que eles estão ansiosos por gravar.



quarta-feira, 24 de julho de 2024

ENTREVISTA DE KOBAYASHI TORANOSUKE E NAKAZAWA MOTOKI PARA A THE TELEVISION

Dei uma pausa bem longa no blog, mas estou tão enternecido pela delicadeza e sensibilidade de Hidamari ga Kikoeru que resolvi traduzir esta entrevista com os dois protagonistas. O Japão tem produzido BLs bem fracos ultimamente, mas eles já mostraram diversas vezes o quanto podem fazer produtos de qualidade quando querem (Cherry Magic, Cupcake à Moda Antiga, O Fim do Mundo com Você, só para citar alguns). O link para o texto original é este, caso queiram tentar ler em japonês (saiu dia 2 de julho). Foi publicado na revista The Television. Todas as imagens são de lá. Quanto à ordem de leitura dos nomes, deixei do jeito original, ou seja, sobrenome primeiro e depois o primeiro nome.


 
NAKAZAWA MOTOKI & KOBAYASHI TORANOSUKE

O conselho de um veterano que guardou no peito ao interpretar um protagonista - “Eu usei seu exemplo de comportamento no set como modelo” (Hidamari Ga Kikoeru)

 

A partir de três de julho (quarta-feira), Nakazawa Motoki e Kobayashi Toranosuke protagonizarão Hidamari Ga Kikoeru, na faixa Dorama NEXT (todas as quartas, entre 0h30 e 1h00 da madrugada, no canal TV Tokyo). Nós perguntamos sobre seus papéis e sobre a impressão que têm um do outro para esses dois que estão atuando juntos pela segunda vez.

 

Desenhando com sensibilidade os sentimentos de duas pessoas: um estudante universitário com problemas de audição e seu colega de classe

 

- O mangá popular Hidamari Ga Kikoeru, de Fumino Yuki, virou um dorama live action! A história conta sobre a aproximação, através da atividade de tomar notas, entre Sugihara Kouhei (Nakazawa), que tem problemas auditivos, e Sagawa Taichi, seu colega de classe alegre e franco.

 

Nakazawa Motoki (daqui em frente, Nakazawa): Na época em que nós fizemos um dorama juntos ano passado, ambos os nossos papéis eram bem diferentes do que estamos interpretando agora. Especialmente o Tora (Kobayashi), até por estar interpretando o Taichi que é bem alegre, também anima alegremente todo mundo no set de gravações e por isso me sinto seguro.

 

Kobayashi Toranosuke (daqui em frente, Kobayashi): Enquanto eu fazia vários papéis em doramas o ano passado, ficou decidido que eu seria o protagonista desta vez, então eu fui pedir conselhos para o Suzuki Ryohei, que foi protagonista do dorama que eu e o Motoki fizemos juntos ano passado, Gekokujo Kyuji (2023, rede TBS). O que ele me falou é segredo, porém acho que seria bom se eu conseguisse, enquanto protagonista, ter boas atitudes usando como modelo o exemplo que ele deu com seu comportamento no set de gravação.

 

Nakazawa: O Taichi interpretado pelo Tora é alguém puro e que tem um lado infantil também. Nisso eles se parecem (risos).

 

Kobayashi: Isso é apenas o que eu decidi mostrar!

 

Nakazawa: Aí, é disso que eu estou falando (risos).

 

Kobayashi: Ahaha. O Motoki é alguém gentil e que se preocupa com os outros. Nisso ele se parece com seu personagem. Quando ele está conversando, há ocasiões em que penso “ah, agora tem mais coisa que ele quer falar”. O Motoki é fácil de ler (risos).

 

Nakazawa: Como eu entendo que estão pensando isso de mim, sou eu que consigo ler as pessoas facilmente (risos).

 

Gostaria que prestassem atenção na relação dos dois mudando com o tempo e em suas expressões faciais (Nakazawa).

 

- Eu sinto que vocês estão em extremos opostos, porque Nakazawa e Kouhei passam um ar de “tranquilidade”, enquanto Kobayashi e Taichi passam um ar de “movimento”, mas, vendo os dois interagirem, vocês parecem estar em sintonia.

 

Kobayashi: O Taichi não é apenas alegre, ele tem a personalidade atual após ter superado diversas coisas no seu passado. Eu estou interpretando levando isso em conta, porém, enquanto o fazia, passei a pensar que ele é uma pessoa que deve ser mais amada. Por isso mesmo, tenho esse senso de dever em querer mostrar o charme do Taichi.

 

Nakazawa: O Kouhei também desde o início já tinha uma personalidade desajeitada, mas ficou mais para baixo quando passou a ter dificuldades de audição. Eu tomei cuidado para não o mostrar de forma muito fria, a fim de expressar a maneira como ele abre o seu coração para o Taichi, que entrou em sua vida sem fazer cerimônia.

Eu quero que o Kouhei também seja amado, assim como o Taichi, então o interpretei de maneira a mostrar seu lado mais humano.  Além disso, a história desta obra se desenvolve centrada nos dois, então gostaria que vocês prestassem atenção na relação deles que vai mudando rapidamente e em suas expressões faciais.


“Foi a primeira vez que não consegui comer, mesmo querendo (risos)” (Kobayashi)

 

- O ponto chave desta obra é a marmita que parece ser deliciosa. Porém, parece que essa marmita se tornou uma fonte de aflição...

 

Kobayashi: Como a marmita é o agradecimento pelas anotações feitas durante a aula, há muitas cenas em que eu tenho que a comer. Claro, é muito gostoso, mas eu tive que comer várias em um único dia (risada amarga). Foi a primeira vez que não consegui comer, mesmo querendo (risos).

 

Nakazawa: Eu também estava nas cenas que envolviam as marmitas junto com ele, mas era só o Taichi quem realmente as comia (risos). Só que, quando gritavam “ação!”, ele comia empolgadamente, então eu realmente o respeito por isso.

 

Kobayashi: No outro dia, além de continuar comendo durante a atuação, eu ainda comi uma marmita que estava de reserva. Tenho a sensação de que vou engordar para caramba até as gravações acabarem (risos).

 

- Publicado na edição de agosto da revista mensal The Television. -

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