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TODOS OS DORAMAS BL JAPONESES (LISTA)

Lista de todos os doramas BL lançados no Japão, com suas respectivas datas de estreia. Os que tiverem entrevistas com os atores traduzidas a...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

ENTREVISTA: ITŌ ASAHI E MUTŌ JUN FALAM SOBRE FUTTARA, DOSHABURI


A ano de 2025 começou com o pé direito em termos de BL japoneses. O dorama “Futtara, Doshaburi” iniciou sua exibição no último dia nove de janeiro. Eu assisti ao primeiro episódio para tirar minhas conclusões e posso dizer que gostei muito do resultado, já até revi uma segunda vez.
Não conheço o original (é baseado em um romance BL, não mangá), mas toda a atmosfera do episódio, a forma como mostraram o distanciamento dos protagonistas em relação a seus respectivos parceiros, a aproximação dos dois através das mensagens de e-mail, as cenas de desejo reprimido (os dois aparecem se masturbando, algo que nunca vi em um BL japonês)... Enfim, achei um primeiro episódio primoroso, um dos melhores que vi nos últimos tempos. É uma história sensível de adultos para adultos.
Obviamente, a coisa pode ir ladeira abaixo daqui. A primeira metade de “Hidamari ga Kikoeru” é linda, mas achei que a história caiu em um monte de clichês irritantes na segunda parte. Por exemplo, a introdução de uma rival para atrapalhar o romance. Ainda que demonstrassem o lado humano da personagem, o comportamento vilanesco dela foi tão “mais do mesmo”, tão chato, que acabou jogando um balde de água fria no resto da história.
Mas voltando ao tema do artigo: como é de costume, saíram várias entrevistas com os atores principais. O ideal é traduzi-las enquanto a série está sendo exibida porque depois a empolgação das pessoas fenece, mas eu nunca faço isso. Por preguiça e por excesso de textos para traduzir mesmo. Minha intenção é verter para o português ao menos uma entrevista com os atores principais de cada um dos BL japoneses lançados (são 43 até o momento), porém, por enquanto, ficaria feliz só de conseguir traduzir as entrevistas saídas durante suas exibições.
É com essa intenção que traduzi o texto a seguir. É uma entrevista feita pela The Television e publicada ontem, mesmo dia do lançamento da série, sendo a seguir reproduzida em outros sites (como o Yahoo Japan, por exemplo). Não consegui pegar quase nenhuma foto de lá, então fiquem só com a tradução e, caso queiram ver o ensaio fotográfico, é só clicar no link para o texto em japonês aqui. É isso, espero que gostem.
P.S.: esqueci de falar, mas há dois personagens chamados Kazuaki. Um deles é o protagonista interpretado pelo Mutō Jun, mas há também o personagem que mora com o Nakarai Sei. Em japonês os ideogramas são diferentes, mas romanizado fica igual. Na minha tradução, eu coloquei "(outro)" na frente para indicar a diferença e não ficar tão confuso.

Os protagonistas

Itō Asahi & Mutō Jun – A distância que encolhe rapidamente com sua primeira atuação juntos “Eu percebi em um instante que poderia amá-lo” “É um homem por quem se apaixona perdidamente” (Futtara Doshaburi)

 

"Futtara Doshaburi", estrelado por Itō Asahi e Mutō Jun, começa a ser exibido na faixa Dorama Tokku (todas as quintas-feiras, 0:59 – 1:29 e outros, na MBS e outros) a partir de nove de janeiro. Baseado no BL principal de Ichiho Michi “Futtara Doshaburi – When it rains, it pours”, é uma história de amor entre adultos sem habilidades sociais manipulados por amores e desejos sexuais não correspondidos. Começando a partir de um e-mail recebido por engano, é desenhada a relação secreta entre dois homens.

Desta vez a WEB The Television realiza uma entrevista com o ator Mutō – que interpreta Hagiwara Kazuaki, empregado do departamento de vendas de uma empresa produtora de eletrodomésticos que sofre pela vida sem sexo com sua namorada com quem coabita – e com o ator Itō – que interpreta Nakarai Sei, empregado no departamento de assuntos gerais da mesma empresa de Kazuaki que sofre por sua relação com seu amigo de infância com quem vive junto. Perguntamos o que eles sentiram quando ficou decidido que iriam atuar neste dorama, suas impressões um do outro, seus pontos em comum com seus personagens etc.

 

“Como há muitos fãs da obra original, senti a responsabilidade”

 

– Primeiramente, contem-nos francamente o que sentiram quando ficou decidido que iriam atuar neste dorama.

 

Itō: Quando recebi a história, a primeira coisa que fiz foi ler o original. Foi a primeira vez que li um romance BL, mas o achei extremamente sensível e minha impressão foi que a descrição da mentalidade dos personagens era muito bonita. Ao mesmo tempo em que senti uma responsabilidade pela obra original ter muitos fãs, eu estava em grande expectativa para interpretar o Sei, por isso estou me divertindo muito gravando agora.

 

Mutō: Já tem bastante tempo que eu queria aparecer muito em um dorama, então fiquei feliz quando consegui este papel. Sendo uma história fortemente realista mesmo entre obras BL, acho que é um tema com o qual muitas pessoas conseguem se identificar, então eu definitivamente quero entregar este trabalho.

 

– É a primeira vez que vocês atuam juntos. Qual a impressão que têm um do outro?

 

Itō: A primeira vez que nós nos vimos foi durante a leitura do roteiro. Como ele é um pouco cabeça de vento (risos), achei que isso encaixava com o Kazuaki e ele seria perfeito para o papel. Como no mundo do Sei até aquele momento só existia o (outro) Kazuaki (Matsumoto Hiroki) e a partir dali ele começa a se apaixonar de repente por este Kazuaki, eu estava aguardando ansiosamente para saber que tipo de pessoa ele era, mas em um instante percebi que poderia amá-lo. Ele é dedicado e, enquanto pessoa, há nele muitos aspectos adoráveis.

 

Mutō: Antes de nós nos encontrarmos, eu estava justamente assistindo a “Sennyū Kyōdai – Tokushu Sagi Tokumei Sōsakan” (Sibling Intrusion – NTV), então minha impressão foi de que ele era alguém que aparecia na televisão (risos). Assim como ele, eu queria saber que tipo de pessoa era e senti que era um homem por quem se fica perdidamente apaixonado.

 

– Uma vez que as gravações começaram de fato, qual foi a reação de vocês ao verem as imagens?

 

Itō: No outro dia mesmo nós gravamos uma cena de chuva e eles mostraram as imagens no monitor. Não quero me gabar, mas elas ficaram lindas. Conforme o título, as chuvas são um tema da série, então essas cenas são, como é de se esperar, transmitidas belamente.

 

Mutō: Como é uma história em que cada uma das relações humanas é muito importante, há o rosto que o Kazuaki mostra para o Sei, o rosto que mostra para a Kaori, o rosto de quando está trabalhando na empresa, acho que dá para ver diversas expressões.

 

Um dos protagonista com sua parceira

“É uma obra em que a sensação de distância entre as pessoas é muito importante.”

 

– Como vocês construíram seus personagens? Há algo que mantiveram em mente na hora de planejarem sua interpretação?

 

Itō: A natureza do Sei é difícil de entender, ou melhor, ele é uma pessoa moderada, que diz o que quer de forma sincera, que não esconde quando está fechado em si mesmo, por isso estou atuando analisando dentro de mim como fazer uso desses elementos.

Mesmo relendo algumas vezes as partes que me causaram dúvidas na obra original, sinceramente eu comecei as gravações sem entendê-las... As primeiras cenas gravadas foram com o (outro) Kazuaki e foi ali o instante em que as entendi pela primeira vez. Até o primeiro dia de gravações, houve muitas coisas que eu não consegui pegar dentro de mim para usar no Sei.

Eu acho que pessoas solitárias, às vezes, testam os outros para aumentarem seu sentimento de autoafirmação, comportam-se de forma mimada e constroem paredes em relação a pessoas por quem não têm interesse. Pensando bastante sobre isso, cheguei à conclusão de que pessoas como ele existem, que eu também tenho meus momentos assim, que agia dessa forma quando era pequeno; fui construindo-o ligando diversas coisas.

 

Mutō: É uma obra em que a sensação de distância entre as pessoas é muito importante. Misteriosamente, a pessoa que está próxima dele passa a ser, antes que ele percebesse, uma existência com quem ele não consegue falar sobre seus sentimentos; através do e-mail, com o qual se mantém um distanciamento, ele consegue facilmente falar sobre eles.

Eu mantenho muito em mente essa sensação de distância entre o Kazuaki e o Sei e entre o Kazuaki e a Kaori, filmando as cenas conversando com o diretor, antes de gravá-las, sobre o que teria ocorrido entre os personagens.

Até o momento, eu atuei em muitas peças, mas há diferenças entre peças e doramas – como a forma de você dizer suas falas –, fora que essa obra em específico tem um cunho realista, então para expressar algo mais perto do meu “eu” real, estou atuando conversando com o diretor, testando por mim mesmo e explorando.

 

– Há algum ponto em comum entre vocês e os personagens que interpretaram ou algum aspecto com o qual conseguem se identificar?

 

Itō: Eu consegui me identificar com o caráter moderado e que não mente para os próprios sentimentos. Por exemplo, quando tem dúvidas em relação ao Kazuaki, ele consegue botar isso pra fora rapidamente e ele também não dá muita atenção para pessoas além de quem gosta. Por isso mesmo acho que ele é amado pelas pessoas e consegue se tornar alguém em quem os outros pensam. Eu também, para o bem ou para o mal, sou alguém que fala o que tem que ser dito, então consegui me identificar um pouco com isso.

 

Mutō: Acho que esse lado dele que fica trocando de repente entre o discurso polido e o casual é uma parte parecida comigo. Eu também tenho tendência a fazer isso com pessoas as quais conheço há pouco tempo. É algo inconsciente, né? Acho que na verdade eu gostaria de falar casualmente, mas fico perdido me perguntando se não seria muito cedo (risos).

 

Matsumoto Hiroki, ator que faz o parceiro do outro protagonista

Os dois criaram brincadeiras simples e aprofundaram sua relação.

 

– Há algum episódio do set de gravações que tenha deixado uma impressão em vocês ou alguma história dos bastidores que vocês possam compartilhar?

 

Mutō: Teve o pato, né?

 

Itō: Pato? Ahh, o cormorão!

 

Mutō: Era um cormorão? Ele ficava mergulhando e nós tentávamos adivinhar onde ele voltaria à superfície (risos).

 

Itō: Ahh, verdade, verdade (risos). Durante as gravações que fizemos perto do mar, havia um cormorão flutuando em um canal e mergulhando que nem relâmpago. Nós brincamos tentando prever onde ele sairia da próxima vez que mergulhasse (risos). Eu perdi.

 

Mutō: Eu acertei (risos).

 

Itō: Ele ficava debaixo d’água por um tempo longo, né?

 

Mutō: É mesmo. Ele voltava à superfície em um local bastante distante.

 

Itō: Quando percebíamos, ele estava colocando a cabeça para fora d’água bem longe, então nós ficamos brincando disso (risos).

 

– Há algum hobby pelo qual vocês estejam obcecados no momento, ou algo do qual gostem, ou algo que fazem normalmente todo dia?

 

Itō: Quanto a mim, uso muito a rede de restaurantes Ootoya. Eu amo comida japonesa. Como você consegue comer pratos executivos deliciosos por aquele preço, quando vou, sempre quero comer alguma coisa, então frequento bastante. Como não há nenhum perto da minha casa, voltando das gravações etc eu desço especialmente para isso em um ponto perfeito onde faço baldeação.

Eu também gosto de procurar restaurantes novos, porém o Ootoya está em vários lugares e é fácil de ir. Quando como sozinho, geralmente vou lá (risos).

 

Mutō: Eu coleciono bonecos de plástico. Fiquei viciado nisso há mais ou menos um ano e já consegui juntar bastante. Comecei colecionando-os e, estudando com o Youtube e revistas, comprei tintas também.

Pintando para dar a sensação de algo liso e brilhante que expresse o metal ou, o oposto, dar a sensação de sujeira que expresse algo velho. Eu gosto de construir algo que apenas eu consiga fazer. Entre um grupo e outro, diria que faço parte dos que não são bons, então eu falho bastante e tenho tendência a perder as partes pequenas (risos).

 

– Que tipo de ano você quer que 2025 seja?

 

Itō: Como este ano está começando logo cedo com este dorama, quero primeiramente me esforçar no presente para que esta se torne uma obra amada por todos. Além disso, dos trabalhos que já estão decididos, eu farei um musical a seguir, então tenho a impressão de que será um ano no qual conseguirei deixar meus fãs felizes. Seria bom se eu conseguisse me esforçar com responsabilidade.

 

Mutō: Gostaria de conseguir me desafiar de diversas formas. Foi assim com este dorama também, como é a primeira vez que recebi um papel com o qual consigo atuar tanto assim, houve muitas coisas que aprendi com ele. Eu percebi que é importante você ter a coragem de se desafiar, então seria bom se, não apenas com este dorama, mas daqui para frente também, eu conseguisse me desafiar neste ano sem esquecer este sentimento.

 

- Por último, falem sobre os pontos que merecem atenção desta obra e deixem uma mensagem para o público.

 

Itō: Tanto em relacionamentos entre homens quanto entre mulheres ou quanto entre homens e mulheres, há muitas pessoas carregando o mesmo tipo de angústia e o conteúdo desta obra consegue se aproximar delas. A parte realista que é evitada em doramas comuns aqui está escrita nas falas e nos comportamentos, então gostaria que as pessoas vissem essas partes divertindo-se.

 

Mutō: Como é uma história de amor de adultos que são joguetes de amores não correspondidos, nós todos estamos nos esforçando de forma a colocar realismo e transmitir um conteúdo para que as pessoas que vêm consigam se identificar. Ficaria feliz se conseguíssemos mover muitos corações.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

ENTREVISTA: NOMURA KŌTA E KANEKO SHUN'YA FALAM SOBRE PERFECT PROPOSE (PARTE 2)

Nomura Kōta

Segunda (e última) parte da entrevista com Kaneko Shun’ya e Nomura Kōta. Link original aqui. Espero que gostem. As fotos são todas de lá.

 

“O Nomura, quando não estava atuando, era atencioso.” (Kaneko)

 

– Vendo em relação um ao outro, quais seriam os pontos em comum ou pontos de divergência entre seu parceiro de cena e o personagem interpretado por ele?

 

Kaneko: Quando estava interpretando, ele era o Kai, mas, fora das gravações, era o Nomura; foi divertido ver esse vão entre os dois. O Nomura, quando não estava atuando, era atencioso. Além disso, eu sou do tipo que só consegue dormir na minha própria cama, mas ele conseguia dormir no ônibus que transportava a gente pros locais de gravação e na cama do cenário; eu sentia inveja disso (risos). No intervalo de gravações, eu realmente o achei adorável.

 

Kaneko Shun’ya

Nomura: O Hirokuni é gentil e o Shun’ya também é muito gentil. Do tipo que você senta no joelho por ele passar a sensação de segurança, ou melhor, de tolerância. Eu achei que esse aspecto era muito parecido.

 

Nomura Kōta

– Falando nisso, o que levou você a sentar no joelho dele?

 

Kaneko: Não foi algo calculado, né? (Risos)

 

Nomura: Verdade.

 

Kaneko: Eu também fiquei tocando nos músculos de seu peito depois que ele fazia treino no local. Nós dois nos divertíamos fazendo esse tipo de coisa não-intencionalmente.

 

– Então, o que vocês acham bom nos personagens um do outro?

 

Kaneko: O Kai não revela muito suas emoções em seu rosto, mas mais para o final ele os mostra para o Hirokuni. Fico me perguntando se as pessoas que estão assistindo não vão se apaixonar nesse momento. De qualquer forma, é um personagem muito adorável.

 

Nomura: Quanto a mim, é de fato a gentileza do Hirokuni. É uma gentileza que aceita e acolhe tudo e eu a senti como Kai, mas também como eu mesmo.

 

Foto de uma cena de "Perfect Propose"

– Nas gravações, houve algo que fosse especialmente divertido ou um episódio que tenha deixado uma impressão em vocês?

 

Kaneko: No segundo episódio, há a cena do festival. No intervalo das gravações, nós dois comemos banana com chocolate, maçã do amor e kakigōri. Depois disso, o Nomura terminou as gravações antes de mim e eu ouvi da equipe que ele havia ido embora levando mais bananas com chocolate.

 

Nomura: Eu levei yakissoba também!

 

Kaneko: Ah, yakissoba também! Quando ouvi isso da equipe, pensei “Ele come bastante! Que fofo!”. Porque eu já fiquei cheio só de comer maçã do amor e kakigōri (risos).

 

Nomura: O que me deixou impressão foi a cena em que o Kai está se trocando no banheiro e o Hirokuni entra e fica em pânico. Nesse momento, o Shun’ya ficava toda hora tocando nos meus braços e cutucando meu peito enquanto dizia como meus músculos era incríveis. Eu achei isso fofo.

 

“Vocês conseguirão ver expressões do Kai que não conseguiram na obra original.” (Nomura)

 

– Há alguma cena que vocês queiram que as pessoas vejam repetidamente ou alguma cena que vocês próprios queiram ver repetidamente com o lançamento do Blu-ray ou do DVD?

 

Nomura: O momento, no último episódio, em que as emoções do Hirokuni e do Kai aparecem. Na verdade, eu o vi quatro vezes, porém, todas as vezes que assisto, fico emocionado. É uma cena da qual gosto.

 

Kaneko: Para mim é a cena em que o Hirokuni fica completamente bêbado no happy hour da empresa e o Kai o carrega em suas costas. Consegue-se ver uma nova faceta do Kai. Esse lado ciumento dele é fofo. Não importa quantas vezes eu assista, sempre acho fofo. Quero vê-la várias vezes.

 

– Conte-nos o que há de especial no episódio extra “O Aniversário do Avental” que está incluso como bônus especial do Blu-ray/DVD.

 

Kaneko: Como é uma história que se passa depois da mudança na natureza do relacionamento do Hirokuni e do Kai, a atmosfera entre os dois é um ponto a ser observado. Além disso, vários elementos que apareceram no dorama são importantes aqui. Acho que conseguirão ver com uma sensação de conforto.

 

Nomura: É justamente pela história se passar depois que os dois ficam juntos que o Kai está mais alegre. Vocês conseguirão ver expressões do Kai que não conseguiram ver na obra original e, por isso, eu ficaria feliz se percebessem essa diferença.

 

Foto de uma cena de "Perfect Propose"

– Como vocês gostariam que as pessoas vissem "Perfect Propose"?

 

Kaneko: Eu acho que é uma obra com a qual se consegue sentir a gratidão por nos relacionarmos com outras pessoas. Ficaria feliz se elas sentissem conforto vendo o dorama ou também se ele pudesse se tornar uma força para as pessoas que o viram.

 

Nomura: Seria bom se as pessoas pudessem vê-la como algo que causa bem estar. É como o Shun’ya acabou de dizer. Como é uma obra em que se consegue sentir o calor humano e a importância do cotidiano comum, ficaria feliz se elas a vissem e sentissem conforto.

 

– Há algo que vocês tenham ganhado enquanto atores ou um crescimento que tenham sentido dentro de vocês através desta obra?

 

Kaneko: Como é a primeira vez na qual me permitiram ser protagonista, havia essa pressão, então tenho a impressão que fiquei mais forte mentalmente. Novamente, através do papel, eu percebi que viver é algo que, embora difícil, é precioso e sinto que consegui ter uma experiência muito valiosa para a vida de ator que viverei também daqui para a frente.

 

Nomura: Eu recebi esse protagonista com apenas um ano e meio de minha estreia como ator, então senti tanto pressão como ansiedade, porém sinto que, enquanto resultado, consegui ir até o fim e adentrar no personagem Kai. Embora no roteiro não estivesse escrito para chorar, aconteceu de as lágrimas saírem sem eu nem pensar, então, pessoalmente, acho que consegui subir um degrau enquanto ator.

 

Kaneko Shun’ya

– Agora que vocês terminaram esta obra, quais são seus objetivos e suas expectativas para o futuro enquanto atores?

 

Nomura: Eu sempre quis me tornar um ator que fosse amado por várias pessoas. Quero ser um ator amado, que receba atenção de várias pessoas, não importando idade ou sexo, por minha forma natural, sem ficar me produzindo todo especialmente para isso.

 

Kaneko: Eu tratarei com cuidado cada um dos trabalhos que receber. Penso que seria bom se eu conseguisse avançar acumulando-os um por um.

Da esquerda: Nomura Kōta e Kaneko Shun’ya

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

ENTREVISTA: NOMURA KŌTA E KANEKO SHUN'YA FALAM SOBRE PERFECT PROPOSE (PARTE 1)

Em primeiro de janeiro, o Meow Fansub (dedicado a séries e filmes BL) fez uma lista com as 50 séries mais assistidas em 2024. Os tailandeses dominam, claro, mas fiquei um pouco surpreso com o quão pouco vistas são as produções japonesas. Hidamari ga Kikoeru, que eu amei boa parte do tempo, aparece na posição 45 e Miseinen foi só mostrado com menção honrosa na posição 53!
Fiquei aguardando conforme os nomes iam sendo anunciados para ver se surgia alguma outra coisa. Fora Hidamari, há mais 7 séries: 25-ji – Akasaka de (41), Koi wo Suru Nara (37), Cosmetic Playlover (35), BL Dorama no Shuen (23), Takara (21), Perfect Propose (20) e Love in the Air – Koi (18).
Percebam que a série japonesa mais assistida sequer entra no TOP 10 e só conseguiu essa posição por ser adaptação de uma obra tailandesa. O Japão tem produzido uma quantidade enorme de BLs nos últimos anos. O problema é sempre a distribuição e a divulgação deles. São pouquíssimos que consegue furar a bolha, digamos assim.
De toda essa lista, eu assisti Hidamari, 25-ji e tentei ver Takara, mas não consegui completar. Estou também acompanhando Miseinen, ainda em exibição. Love in the Air tem o Nagumo Shōma, o que sempre é um incentivo para assistir às coisas, mas aquela peruca horrorosa que botaram nele me desanima e eu não consumo as coisas que a autora da obra original faz. Não vi, portanto, a versão tailandesa.
Por fim, queria ver a razão do relativo sucesso da segunda obra mais vista, então passei os últimos dois dias assistindo a Perfect Propose. Parece-me um retrato muito verdadeiro dos horrores de se trabalhar em uma burakku kigyō/gaisha, as corporações/empresas que hiperexploram seus funcionários. O protagonista estava claramente em depressão e parecia mesmo a ponto de morrer por excesso de trabalho (karōshi). Apontarem como as humilhações dele aconteciam de forma a mantê-lo com autoestima baixa para poderem segurá-lo trabalhando para eles foi algo muito interessante. Imagino que essa seja mesmo a dinâmica da coisa.
Dito tudo isso, fui procurar alguma entrevista com os atores e descobri que o Eiga Natalie (a seção para filmes do Comic Natalie) bateu um papo com eles quando do lançamento do Blu-ray e do DVD da série ano passado. Dividirei o texto em duas partes, conforme o original. Mantive a configuração e as fotos o mais próximo possível do que está lá. Segue a tradução:

P. S.: o Kaneko cita seu cabelo pintado como motivo para não ir à sauna. Pesquisei e aparentemente não é recomendado frequentar o lugar logo após o tingimento porque a tinta pode sair mais rápido.

 


Perfect Propose: O reencontro de duas pessoas que prometeram ficar juntas no futuro.

Uma história que cura criada por estes dois que protagonizam ambos um dorama pela primeira vez.

 

O Blu-ray e o DVD do dorama BL protagonizado por Kaneko Shun’ya e Nomura Kōta serão colocados à venda dia 3 de julho (quarta-feira). Esta obra, versão live action do mangá homônimo de Tsurukame Mayo, é uma história de amor que começa a partir do reencontro entre Watari Hirokuni e Fukaya Kai, que prometeram ficar juntos no futuro quando eram jovens. Kaneko interpreta Hirokuni, um personagem que sofre com a pressão e abuso de poder de seu chefe, vivendo seu dia a dia sem conseguir dormir; Nomura interpreta Kai, um rapaz mais novo e frio com excelentes habilidades domésticas que passa a morar com o outro por acidente.

O Eiga Natalie realizou uma entrevista com Kaneko e Nomura para celebrar a venda do Blu-ray e do DVD. Nós conversamos sobre o que eles consideram fofo um no outro, o que vale à pena ser visto nos extras que mostram os personagens depois de eles terem ficado juntos, o que eles ganharam enquanto atores através dessas gravações etc.

 

Coleta de dados/texto: Kobayashi Chie    Fotos: Yanase Tamami

 

“Nós conseguimos construir uma relação muito confortável.” (Kaneko)

 

– Qual impressão vocês tinham um do outro antes de atuarem juntos? E essa impressão mudou depois que atuaram?

 

Kaneko Shun’ya: Ele é alto e estiloso. Eu achei que a expressão “bom garoto” lhe caía bem. Além disso, através das gravações, percebi que ele é extremamente amigável e, por ser um bom garoto que também tem um lado fofo, é alguém imbatível.

 

Nomura Kōta: Muito obrigado (risos). A impressão que eu tinha antes e depois de atuarmos juntos mudou completamente. No começo eu achava que ele era uma pessoa quieta, que não fala muito; porém, conforme fomos lendo o roteiro e ensaiando, consegui ver bastante do seu lado brincalhão, fofo e alegre.

 

A partir da esquerda: Nomura Kōta e Kaneko Shun'ya

– Contem-nos sobre a impressão que tiveram da atuação um do outro e da forma como se comportavam no set.

 

Kaneko: Nós conseguimos nos comportar de forma natural, sem ficar tendo que prestar atenção especial a nada. Embora tenhamos 4 anos de diferença, acho que conseguimos construir uma relação muito confortável sem sentir muito essa diferença.

 

Nomura: Na gravação da abertura do dorama, houve uma cena em que pediram para nós improvisarmos uma conversa porque eles filmariam isso. A grande ajuda que o Shun’ya me deu ali foi marcante. Como eu não estava conseguindo de forma alguma, ele tomou a iniciativa e improvisou para mim.

 

Kaneko: Como era uma cena em que deveríamos falar livremente, eu fui tocando nos assuntos ordenadamente, mas ele ficava ruminando sobre o que deveria falar (risos). Isso também foi fofo.

 

– Houve alguma outra coisa sobre a qual vocês falaram em relação à atuação, para além dessa cena de improvisação?

 

Kaneko: Não houve nada.

 

Nomura: Nós apenas tratamos com cuidado o que íamos sentindo em cada uma das cenas.

 

Kaneko: Isso. Se nós conversássemos demais antes, a coisa pareceria muito programada e isso também não seria bom. E, para começo de conversa, nós também estávamos muito presos dentro de nossas próprias cabeças (risos). Olhando agora em retrospectiva, acho que isso foi bom.

 

Foto de cena de Perfect Propose: Fukaya Kai, interpretado por Nomura Kōta (esquerda), e Watari Hirokuni, interpretado por Kaneko Shun'ya

– Esta obra é a primeira atuação em conjunto de vocês dois. Como fizeram para construir uma relação de confiança?

 

Kaneko: Como as gravações da casa do Hirokuni foram feitas em um apartamento, nós ficávamos conversando bobagens no intervalo em que ocorriam as mudanças no set. Acho que foi construída assim, aos poucos.

 

Nomura: Além disso, nós dois gostamos de sauna. Quando soubemos que tínhamos o mesmo hobby, ficamos empolgados e acho que isso também foi importante.

 

Kaneko: Verdade! Mas ainda não conseguimos ir à sauna juntos, né?

 

Nomura: Não conseguimos, né?

 

Kaneko: Havia a questão do meu cabelo pintado e nossas agendas não batiam. Precisamos ir algum dia.

 

Nomura: Sim!

Da esquerda: Nomura Kōta e Kaneko Shun'ya


“Eu gosto do sorrido inocente que o Shun’ya mostra” (Nomura)

 

– O que vocês acham fofo e o que vocês acham um pouco odioso um no outro?

 

Nomura: Hã!? (Risos)

 

Kaneko: Durante as gravações, haviam arranjado duas cadeiras para nós, porém ele, embora tivesse sua própria cadeira, veio sentar em cima do meu joelho. Eu achei isso fofo. Quanto ao lado odioso... Ele é alto, seu rosto é pequeno e bonito e, além disso, ainda tem músculos. Ele é um pouco perfeito demais.

 

Da esquerda: Nomura Kōta e Kaneko Shun'ya

Nomura: Hahaha.

 

Kaneko: Mais do que algo odioso, eu ficava sempre pensando em quanto sentia inveja dele.

 

Nomura: Eu gosto do sorriso inocente que o Shun’ya mostra. Tanto durante sua atuação, quanto durante o intervalo, ele sorria de maneira amável. Quanto ao lado odioso... qual seria?

 

Kaneko: É difícil, não é?

 

Nomura: É difícil! Mas se fosse para falar algo que invejo, seria sua excelência em tarefas domésticas. Você sabe fazer comida e gosta de limpar a casa, né?

 

Watari Hirokuni, interpretado por Kaneko Shun'ya

Kaneko: Isso.

 

Nomura: Se fosse para escolher um lado, diria que estou no dos que não são bons nisso, então sinto inveja.

 

– É o oposto dos seus papéis, não é?

 

Nomura: Sim. O Kai é bom em fazer comida, mas eu pessoalmente nunca cozinhei muito. Nas cenas, nós gravamos conversando sobre como fazer para parecer que eu cozinhava rotineiramente.

 

– Kaneko interpreta Watari Hirokuni, um personagem que sofre com a pressão e abuso de poder de seu chefe, vivendo seu dia a dia sem conseguir dormir; Nomura interpreta Fukaya Kai, um rapaz mais novo e frio com excelentes habilidades domésticas. Como vocês percebem os seus próprios papéis e como vocês os interpretaram?

 

Fukaya Kai, interpretado por Nomura Kōta

Kaneko: O Hirokuni, embora receba pressão por parte de seu chefe, tem força mental para continuar perseverando em seu trabalho. Porém, ao voltar para casa, ele nem toca nas tarefas domésticas. Sente-se esse vão entre as duas coisas. Mas tanto em relação aos colegas do trabalho, quanto ao Kai, ele é cheio de gentileza. Eu o interpretei tomando cuidado para que conseguissem perceber apropriadamente a mudança dos sentimentos sensíveis que estão dentro dele.

 

Nomura: O Kai é frio, indiferente e não deixa suas emoções transparecerem em seu rosto. Comparado a ele, eu deixo minhas emoções aparecerem facilmente e creio que minha personalidade seja mais calorosa do que fria. Então tenho a impressão de que há muitas diferenças entre nós. Porém como senti que há gentileza e uma consideração para com os outros própria do Kai dentro dessa frieza, interpretei-o com a consciência de que há essa gentileza e um calor no fundo de seu coração.

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