Postagem em destaque

TODOS OS DORAMAS BL JAPONESES (LISTA)

Lista de todos os doramas BL lançados no Japão, com suas respectivas datas de estreia. Os que tiverem entrevistas com os atores traduzidas a...

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

ENTREVISTA DE NAKAZAWA MOTOKI E KOBAYASHI TORANOSUKE PARA O CANAL TV TOKYO (PARTE 2)

Segunda parte da entrevista. O link para o texto em japonês está aqui. Já a parte um está aqui, caso queiram ler (ou reler).

 

MUDANÇA NA RELAÇÃO DOS DOIS “QUERO VER QUE TIPO DE INTERPRETAÇÃO ELE ENTREGARÁ NO FUTURO?” “PRECISO CORRESPONDER A SUAS EXPECTATIVAS”

 

Expectativas em relação às gravações?

 

- Há algo que tenha marcado vocês nas gravações que ocorreram até agora?

 

Nakazawa: O que me marcou foi o clímax do primeiro episódio. Foi a primeira cena que eu filmei logo que começaram as gravações e, como não tinha interpretado o Kouhei até ele chegar naquele momento, gravei imaginando os sentimentos se conectando. Nessa cena, acho que dá para ver as expressões puras dos dois.

 

Kobayashi: Neste dorama, há muitas cenas em que apareço comendo. Essas cenas foram feitas em um dia, então, embora fossem gostosas, eu fui ficando cheio. Durante a minha performance, eu me energizei e comi com gosto, mas, assim que acabavam as cenas, ficava exausto olhando para um único ponto (risos).

 

- Há algo que vocês estejam animados para gravar daqui para a frente?

 

Nakazawa: O Kouhei, que tinha o coração fechado para os outros, vai abri-lo por causa do Taichi, então quero ver que tipo de interpretação o Tora vai entregar.

 

Kobayashi: Preciso corresponder a essas expectativas, né? (Risos) Quanto a mim, embora elas botem bastante pressão, eu estou animado para gravar as cenas em que os sentimentos se movem de maneira intensa e as cenas longas.

 


- As gravações ainda vão continuar, mas há algo que vocês gostariam de dizer um para o outro neste momento?

 

Nakazawa: Como é um relacionamento em que conseguimos dizer tudo o que queremos um ao outro sem reservas em relação a nossa interpretação, não há nada específico... Ah, é mesmo! Quando as gravações acabarem, vamos à Disney!

 

Kobayashi: Eu estava falando que queria ir o tempo todo, né? Acho que é bom irmos quando o tempo estiver mais fresco. No outono, a depender das nossas agendas, talvez lá para outubro.

 

- Por fim, qual o charme desta obra que vocês sentiram ao ler o mangá original e o roteiro, e qual o ponto de destaque deste dorama?

 

Kobayashi: Tanto o Kouhei quanto o Taichi são gentis, mas essa gentileza não se encaixa bem, às vezes se desencontrando e às vezes colidindo... Eu acho que essa gentileza e essa visão de mundo leve e calorosa desenhadas são pontos bons.

 

Nakazawa: Se aparecessem mais pessoas como o Taichi, acho que o mundo se tornaria mais gentil. Ele é alguém que inconscientemente diz palavras que pessoas passando por momentos difíceis desejam ouvir, não é apenas em relação ao Kouhei. Se ao verem este dorama, uma gentileza como a do Taichi se expandisse, eu ficaria feliz.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

ENTREVISTA DE NAKAZAWA MOTOKI E KOBAYASHI TORANOSUKE PARA O CANAL TV TOKYO (PARTE 1)

Mais uma entrevista com os atores de Hidamari ga Kikoeru, desta vez publicada no site do próprio canal que exibe o dorama, o TV Tokyo. Estando o original em duas partes, resolvi separar a tradução também. Tentarei publicar a parte dois amanhã. Caso queiram tentar ler em japonês, o link está aqui. As fotos são todas do site, claro. A entrevista foi feita dia 3 de julho.

 

NAKAZAWA MOTOKI X KOBAYASHI TORANOSUKE PROTAGONIZANDO JUNTOS “COMO JÁ TÍNHAMOS CONSTRUÍDO UMA RELAÇÃO, SENTI-ME SEGURO” “EU CONFIO NELE DESTA VEZ TAMBÉM”

 

Hidamari ga Kikoeru, da faixa Dorama NEXT (todas as quartas-feiras, 0h30). Uma incerta história de amor humana, embora dolorosa, entre um estudante universitário com deficiência auditiva e seu colega que se voluntaria para ser seu anotador em classe. Entrevista com os protagonistas, Nakazawa Motoki e Kobayashi Tonarosuke!

 

“Como já tínhamos construído uma relação, senti-me seguro”

 

- Vocês já tinham trabalhado juntos antes, e agora vão ser protagonistas pela primeira vez juntos em um dorama com transmissão terrestre. O que estão sentido em relação a esse protagonismo?

 

Nakazawa: Estou muito emocionado por poder protagonizar com o Tora. Há a ansiedade por ser minha primeira vez protagonizando um dorama, mas, como já tinha me dado bem com ele na outra obra que fizemos juntos e tínhamos construído uma relação, sinto-me seguro.

 

Kobayashi: O que eu senti ao conseguir, a partir do ano passado, trabalhar com pessoas famosas em papéis centrais foi que o exemplo delas era muito legal. Além da pressão por ser protagonista, há também muitas responsabilidades e deveres. Achava que para mim isso ainda era algo impossível, porém, conforme fui acumulando trabalhos, passei a pensar que talvez acontecesse alguma transformação em mim caso tivesse uma experiência como protagonista e foi nesse período que recebi esta história de agora.

Quando ficou decidido que eu protagonizaria a novela, consultei também o Suzuki Ryohei (Suzuki foi protagonista do dorama Gekokujo Kyuji, em que Kobayashi atuou). Construir uma atmosfera boa no set de gravações em que todos nos esforcemos para fazer esta obra é o meu desejo.

 

- Qual conselho você recebeu do Suzuki Ryohei?

 

Kobayashi: Isso é segredo (risos). Ele mostrou-me sua postura enquanto protagonista no set em que trabalhamos. Ele é amado por todo mundo em todos os lugares que vai, então, enquanto me lembro desses seus modos, quero poder me tornar como ele. Quero ser um protagonista que consegue liderar o set com um clima bom e também me esforçar na atuação.

 

- Vocês reforçaram a impressão que tinham um do outro no set de filmagem desta obra? Há algo que tenham percebido?

 

Nakazawa: Desta vez, o Tora está animando o set enquanto intérprete do Taichi. No nosso outro trabalho, eu comentei que, ao vê-lo junto com todo mundo, ele não parecia ser alguém mais velho, então essa impressão de que ele é uma pessoa que passa uma sensação diferente no set a depender do papel em que atua é uma descoberta nova.

 

Kobayashi: Desde nosso último trabalho juntos eu já tenho pensado que o Motoki é alguém sério. O Kouhei desta obra que ele está interpretando é um papel difícil de um portador de deficiência auditiva, mas parece que ele foi a vários lugares a fim de construir seu papel e, por isso, estou confiando nele agora também. É por ele apresentar esse lado que eu também sou grato.

 


- Em que parte dele você sente a seriedade?

 

Kobayashi: Ele é sempre sério. Quando tenho tempo livre, fico pensando em como posso guardar minhas energias, mas o Motoki fica fazendo coisas tipo ler o roteiro. Eu acho impressionante.

 

Nakazawa: Tanto na obra anterior quanto nesta, eu vejo o Tora através de seus personagens, então mesmo agora ainda estou tentando descobrir como ele é na realidade. Acho que seu eu verdadeiro é aquele que aparece dentro do micro-ônibus usado por nós para irmos aos locais de gravação (risos).

 

Kobayashi: Mas no ônibus eu fico dormindo na maior parte do tempo (risos).

 

Nakazawa: Eu também já pensei que embora anime o set de filmagens, na realidade ele é alguém normalmente calmo. Quero ver como seria quando está em casa ou com amigos próximos. Como você é?

 

Kobayashi: Talvez eu não fale muito (risos). No set de gravações atual, eu faço um esforço consciente para conversar com todo mundo, mas, se fosse para escolher, diria que minha essência é mais próxima do Kouhei que do Taichi. Porém, como eu acho que seria ruim se as pessoas vissem essa minha essência no Taichi, eu fico alongando no set esse ponto alegre dentro de mim. Por isso eu falo que estou cansado quando estamos voltando no ônibus após o fim das filmagens (risos).

 


- O que você faz para retirar esse cansaço?

 

Kobayashi: Eu durmo, basicamente!

 

- Sobre o que vocês conversam quando estão juntos?

 

Nakazawa: No momento, nós conversamos bastante sobre esta obra, né? Acho que nós nunca conversamos muito sobre nossos hobbies. Você gosta do quê, Tora?

 

Kobayashi: Videogames.

 

Nakazawa: Nós dois temos como ponto em comum gostarmos de esportes, né?

 

Kobayashi: É verdade. Ah, ultimamente eu tenho me interessado por produtos de beleza! Neste set de gravações, todos os dias eu uso máscaras faciais, vaporizadores faciais e eles me deixam usar também outras máquinas de tratamento de beleza. Em casa eu sempre lavo o rosto e uso a máscara. É bom usá-la todos os dias de manhã e de noite.

 

Nakazawa: Você fala isso toda hora, né?

 

Kobayashi: E mesmo assim, nasceu uma espinha em mim. Fiquei chocado (risos).

 

Nakazawa: Por influência sua, eu também comecei a usar máscaras faciais (risos).

 

Usando na obra as histórias que ouviram de pessoas com deficiência auditiva

 


- O Nakazawa interpreta Sugihara Kouhei, um estudante universitário com deficiência auditiva, e o Kobayashi interpreta Sagawa Taichi, um estudante universitário que conhece Kouhei ao se voluntariar para ser anotador, que é quando você escreve o conteúdo das aulas para alunos que têm impedimentos auditivos. De que forma vocês se prepararam para esses papéis?

 

Nakazawa: Antes das gravações iniciarem, eu recebi a oportunidade de ouvir histórias de pessoas com deficiência auditiva, e escutei várias coisas, inclusive relatos tristes. Como parece que o nível de audição varia conforme a pessoa, eu construí o personagem lendo o roteiro e a obra original e comparando a situação do Kouhei com as histórias que ouvi.

 

Kobayashi: O Taichi tem uma personalidade fundamentalmente animada, mas esse “fundamentalmente” é difícil de transmitir. Se fosse um personagem sombrio, teria como construí-lo a partir do fato de todos nós já termos passado por situações em que fomos machucados. Por isso, entrando no set de gravações, eu tentava ser alegre como o Taichi.

 


- Não apenas Nakazawa, como também Kobayashi escutaram antes das gravações histórias de pessoas com deficiência auditiva. Há algo que vocês têm usado na hora de atuar? Ou há algo a que vocês têm dado atenção nestes momentos?

 

Nakazawa: Falaram-me que os sons que normalmente ouço não são ouvidos ou então são difíceis de ouvir, como se houvesse criptografia misturada na forma de escutar as coisas. Eu tenho atuado mantendo isso em mente. Só que quando ouço um som alto, acabo reagindo por reflexo e isso não é o Kouhei, né? Por isso, quando há um som alto, tenho buscado atuar com reação de perplexidade, não sabendo de onde o som veio.

 

Kobayashi: De acordo com as histórias que ouvi de quem tem deficiência auditiva, há tanto pessoas que têm mais facilidade para ouvir sons altos, quanto pessoas que têm mais facilidade para ouvir sons baixos, variando conforme cada um. Como para o Kouhei é a voz do Taichi que é fácil de ouvir, eu achei que poderia manter minha voz no tom natural. Porém, como há uma fala do Kouhei em que ele diz que é difícil escutar vozes que estão atrás dele, eu conscientemente falo posicionando-me onde o Kouhei possa ver a boca do Taichi.

 

Nakazawa: Quando encontrei a autora Fumino Yuki antes do início das gravações, ela pediu-me para não retratar pessoas com deficiência auditiva como se fossem dignos de pena. Eu também penso dessa forma, e todo mundo envolvido com este dorama tem essa consciência. Seria bom se esta obra se tornasse uma oportunidade para as pessoas descobrirem o que é ter dificuldade auditiva.

 

Na segunda parte, serão abordadas coisas como o que eles estão ansiosos por gravar.



quarta-feira, 24 de julho de 2024

ENTREVISTA DE KOBAYASHI TORANOSUKE E NAKAZAWA MOTOKI PARA A THE TELEVISION

Dei uma pausa bem longa no blog, mas estou tão enternecido pela delicadeza e sensibilidade de Hidamari ga Kikoeru que resolvi traduzir esta entrevista com os dois protagonistas. O Japão tem produzido BLs bem fracos ultimamente, mas eles já mostraram diversas vezes o quanto podem fazer produtos de qualidade quando querem (Cherry Magic, Cupcake à Moda Antiga, O Fim do Mundo com Você, só para citar alguns). O link para o texto original é este, caso queiram tentar ler em japonês (saiu dia 2 de julho). Foi publicado na revista The Television. Todas as imagens são de lá. Quanto à ordem de leitura dos nomes, deixei do jeito original, ou seja, sobrenome primeiro e depois o primeiro nome.


 
NAKAZAWA MOTOKI & KOBAYASHI TORANOSUKE

O conselho de um veterano que guardou no peito ao interpretar um protagonista - “Eu usei seu exemplo de comportamento no set como modelo” (Hidamari Ga Kikoeru)

 

A partir de três de julho (quarta-feira), Nakazawa Motoki e Kobayashi Toranosuke protagonizarão Hidamari Ga Kikoeru, na faixa Dorama NEXT (todas as quartas, entre 0h30 e 1h00 da madrugada, no canal TV Tokyo). Nós perguntamos sobre seus papéis e sobre a impressão que têm um do outro para esses dois que estão atuando juntos pela segunda vez.

 

Desenhando com sensibilidade os sentimentos de duas pessoas: um estudante universitário com problemas de audição e seu colega de classe

 

- O mangá popular Hidamari Ga Kikoeru, de Fumino Yuki, virou um dorama live action! A história conta sobre a aproximação, através da atividade de tomar notas, entre Sugihara Kouhei (Nakazawa), que tem problemas auditivos, e Sagawa Taichi, seu colega de classe alegre e franco.

 

Nakazawa Motoki (daqui em frente, Nakazawa): Na época em que nós fizemos um dorama juntos ano passado, ambos os nossos papéis eram bem diferentes do que estamos interpretando agora. Especialmente o Tora (Kobayashi), até por estar interpretando o Taichi que é bem alegre, também anima alegremente todo mundo no set de gravações e por isso me sinto seguro.

 

Kobayashi Toranosuke (daqui em frente, Kobayashi): Enquanto eu fazia vários papéis em doramas o ano passado, ficou decidido que eu seria o protagonista desta vez, então eu fui pedir conselhos para o Suzuki Ryohei, que foi protagonista do dorama que eu e o Motoki fizemos juntos ano passado, Gekokujo Kyuji (2023, rede TBS). O que ele me falou é segredo, porém acho que seria bom se eu conseguisse, enquanto protagonista, ter boas atitudes usando como modelo o exemplo que ele deu com seu comportamento no set de gravação.

 

Nakazawa: O Taichi interpretado pelo Tora é alguém puro e que tem um lado infantil também. Nisso eles se parecem (risos).

 

Kobayashi: Isso é apenas o que eu decidi mostrar!

 

Nakazawa: Aí, é disso que eu estou falando (risos).

 

Kobayashi: Ahaha. O Motoki é alguém gentil e que se preocupa com os outros. Nisso ele se parece com seu personagem. Quando ele está conversando, há ocasiões em que penso “ah, agora tem mais coisa que ele quer falar”. O Motoki é fácil de ler (risos).

 

Nakazawa: Como eu entendo que estão pensando isso de mim, sou eu que consigo ler as pessoas facilmente (risos).

 

Gostaria que prestassem atenção na relação dos dois mudando com o tempo e em suas expressões faciais (Nakazawa).

 

- Eu sinto que vocês estão em extremos opostos, porque Nakazawa e Kouhei passam um ar de “tranquilidade”, enquanto Kobayashi e Taichi passam um ar de “movimento”, mas, vendo os dois interagirem, vocês parecem estar em sintonia.

 

Kobayashi: O Taichi não é apenas alegre, ele tem a personalidade atual após ter superado diversas coisas no seu passado. Eu estou interpretando levando isso em conta, porém, enquanto o fazia, passei a pensar que ele é uma pessoa que deve ser mais amada. Por isso mesmo, tenho esse senso de dever em querer mostrar o charme do Taichi.

 

Nakazawa: O Kouhei também desde o início já tinha uma personalidade desajeitada, mas ficou mais para baixo quando passou a ter dificuldades de audição. Eu tomei cuidado para não o mostrar de forma muito fria, a fim de expressar a maneira como ele abre o seu coração para o Taichi, que entrou em sua vida sem fazer cerimônia.

Eu quero que o Kouhei também seja amado, assim como o Taichi, então o interpretei de maneira a mostrar seu lado mais humano.  Além disso, a história desta obra se desenvolve centrada nos dois, então gostaria que vocês prestassem atenção na relação deles que vai mudando rapidamente e em suas expressões faciais.


“Foi a primeira vez que não consegui comer, mesmo querendo (risos)” (Kobayashi)

 

- O ponto chave desta obra é a marmita que parece ser deliciosa. Porém, parece que essa marmita se tornou uma fonte de aflição...

 

Kobayashi: Como a marmita é o agradecimento pelas anotações feitas durante a aula, há muitas cenas em que eu tenho que a comer. Claro, é muito gostoso, mas eu tive que comer várias em um único dia (risada amarga). Foi a primeira vez que não consegui comer, mesmo querendo (risos).

 

Nakazawa: Eu também estava nas cenas que envolviam as marmitas junto com ele, mas era só o Taichi quem realmente as comia (risos). Só que, quando gritavam “ação!”, ele comia empolgadamente, então eu realmente o respeito por isso.

 

Kobayashi: No outro dia, além de continuar comendo durante a atuação, eu ainda comi uma marmita que estava de reserva. Tenho a sensação de que vou engordar para caramba até as gravações acabarem (risos).

 

- Publicado na edição de agosto da revista mensal The Television. -

sábado, 16 de dezembro de 2023

ARTIGO ESPECIAL: HAGIO MOTO E KANNO AYA CONVERSAM SOBRE MANGÁS HISTÓRICOS E PROTAGONISTAS MULHERES

Ano passado, o Comic Natalie promoveu um bate-papo muito especial entre Hagio Moto a Kanno Aya para comemorar o lançamento do primeiro volume do spin-off de Baraou no Souretsu, chamado Ouhi to Bara no Kishi. A conversa ficou bem grande, mas é fundamental ter a tradução dessas coisas em português para compreender melhor o universo do shoujo mangá. Por isso, resolvi traduzir. O link para o texto original em japonês está aqui. As imagens são todas de lá. A chamada inicial do texto fala sobre a amostra grátis do capítulo inicial do spin-off que o site colocou. Se quiserem tentar ler em japonês ou só apreciar as imagens dele, é só clicarem no link.

 

CONVERSA ESPECIAL: KANNO AYA E HAGIO MOTO

A diversão e a dificuldade ao desenhar obras históricas e protagonistas femininas

Baraou no Souretsu - a obra de Kanno Aya, que a fechou em janeiro deste ano (N. T.: 2022) após atravessar aproximadamente 9 anos de serialização. Atualmente, está sendo publicado na revista Gekkan Princess (editora: Akita Shoten) o mangá Baraou no Souretsu – Ouhi to Bara no Kishi, o qual joga luz sobre a vilã rainha Margaret, que também apareceu em Baraou no Souretsu.

O Comic Natalie, para comemorar o lançamento do primeiro volume deste spin-off, arranjou um bate-papo entre Kanno e aquela que influenciou sua obra: Hagio Moto. Foram conversadas coisas como o charme que Hagio sentiu em Baraou no Souretsu, os bastidores da obra de Kanno, a identificação mútua delas com a diversão e as dificuldades na hora de fazer obras históricas e mulheres protagonistas, dentre outros assuntos.  Além disso, ao final deste artigo especial, está publicada uma amostra grátis do primeiro capítulo de Baraou no Souretsu – Ouhi to Bara no Kishi, então gostaríamos que quem estiver interessado também o chequem.

Coleta de dados – texto: Kozue Aou

 

- Mais interessante do que Shakespeare!? A razão pela qual Hagio Moto fez um elogio empolgado assim é... -

 

- Parece que a Hagio-sensei leu a serialização de Baraou no Souretsu desde que o mangá começou.

Moto Hagio: É isso mesmo. Eu ficava absorvida na leitura porque ela é interessante.

 

Aya Kanno: Fiquei profundamente emocionada quando ouvi o rumor de que a Hagio-sensei estaria lendo minha obra. Quando o terceiro volume estava para sair, meu editor pediu que a sensei escrevesse um comentário para o mangá. Mas eu nunca imaginei que realmente faria isso!

 

Hagio: Eu escrevi “É mais interessante do que Shakespeare!”, não foi? (Fonte)


Kanno: Muito obrigada (risos). 

Hagio: Há uma boa razão para eu ter escrito isso. Como eu sempre gostei de obras históricas, lia várias delas. Porém não entendi patavinas da peça Ricardo III de Shakespeare. Isso mesmo tendo compreendido Rei Lear e Hamlet. Mas quando reli Ricardo III depois de Baraou no Souretsu, entendi muito bem.

 

Kanno: Eu também (não entendi no começo). Vi primeiro a peça Henrique VI produzida por Yukio Ninagawa. Embora seja sobre Henrique VI, a história começa a partir de Henrique V, então fiquei perdida. Eu desenhei com cuidado para que fossem lembrados os nomes dos personagens que aparecessem, sem esquecer dessa sensação que tive assistindo pela primeira vez.

 

Hagio: Acho que eu também vi as montagens dessa época. A que eu vi foi Henrique VI que Hitoshi Uyama produziu em 2009 no Novo Teatro Nacional de Tóquio, se não me engano. A que você viu produzida por Ninagawa tinha a Shinobu Otake nos papéis de Joana, a donzela, e Margaret?

 

Kanno: Essa mesma. A Shinobu Otake estava no papel de Margaret.

 

Hagio: Como, antes de ver a peça, eu já tinha assistido ao filme inglês Henrique V com Laurence Olivier, pensei “Ah, é a continuação daquele filme”. Mas mesmo assim fiquei bem confusa. Obras históricas são difíceis, não são? Porém, Baraou foi desenhada sendo muito bem pesquisada, né? Creio que os pontos principais estão muito bem colocados. Você é formada em História?

 

Kanno: Imagina! Eu sou apenas uma otaku de História.

 

Hagio: Os otakus são sempre quem ganham mais (risos).

 

Kanno: No começo, eu gostava de História do Japão. Passei a gostar de obras históricas por causa dos Shinsengumi.

 

Hagio: O mangá que você desenhou sobre eles, Hokusou Shinsengumi, é bem legal. Está cheio de homens bonitos.

 

Kanno: Não importa o que eu faça, os mangás acabam ficando assim (risos). Fiquei extremamente feliz quando soube, lendo em algum artigo, que a sensei gosta do Shinsengumi de Osamu Tezuka-sensei. Eu sendo alguém que também gosta deles. Também cresci lendo os mangás do Tezuka-sensei.

 

Hagio: Ah, é?

 

Kanno: Como em casa havia os mangás Hi no Tori e Mensagem para Adolf, leio desde pequena.

 

Hagio: É uma boa casa, né? Uma casa que tem mangás é uma boa casa (risos).

 

- Sobre qual é a graça de entender personagens históricas trabalhando a imaginação –

 

- Qual teria sido o motivo que fez a Kanno-sensei virar fã da Hagio-sensei lá no início?

 

Kanno: Meu primeiro encontro com uma obra dela foi Poe no Ichizoku. Li uma cópia que uma pessoa que trabalhava como tutora para minha família emprestou para meu irmão mais velho. O primeiro mangá dela que eu comprei foi Zankokuna Kami ga Shihai Suru. É uma obra que reli diversas vezes. Foi um dos que escolhi quando pensei em usar alguns mangás como guia antes de começar a desenhar Baraou. A personagem Joana D’arc recebeu influência da imagem de Greg que aparece como fantasma após ter morrido em Zankokuna Kami ga Shihai Suru. 

Hagio: Joana é uma personagem fascinante. Ela sussurra no ouvido de Ricardo o que não gostaria de ouvir. Ela mostra as profundezas da psiquê de Ricardo, né?

 

Kanno: Eu gostava muito dessa imagem enigmática e desagradável do espírito do Greg flutuando. Queria experimentar desenhar uma existência assim. Eu cresci sem ter muito contato com shoujo mangás. Após me tornar adulta, de repente parei para prestar atenção neles e comecei a ler vários e a sensei é realmente minha inspiração. Seu estilo cobre uma diversidade de tópicos e todos eles são interessantes. As histórias também me atraem, mas eu uso como inspiração a sua forma de construir os quadros e o seu desenho de cenários. Claro, antes disso eu me divirto enquanto uma de suas leitoras. Parece um sonho que alguém com uma existência tão superior assim tenha contribuído com uma ilustração em tributo para o meu fanbook.

 

- Foi impressionante o desenho que a Hagio-sensei fez com os vários personagens para o fanbook oficial de Baraou no Souretsu (fonte) – 

Hagio: Todos os personagens são muito interessantes. Pelos rostos deles, seus papéis na história ficam gravados na nossa cabeça. O rosto de Warwick parece o do Al Capone, né? Mas, como é de se esperar, a personagem Ricardo é a mais interessante. De qualquer forma, as relações entre pais e filhos de nenhum deles é boa (risos). Ricardo é uma pessoa tão odiada por sua mãe. Falando nisso, a Margaret. Em Baraou no Souretsu – Ouhi to Bara no Kishi, ela se torna a protagonista e nós entendemos qual era sua situação. Vindo da França, ela era azucrinada na época em que tinha acabado de entrar para a família real da Inglaterra. Porém, tendo personalidade forte, ela dá na cara da outra pessoa.

 

Kanno: Era uma cena que eu queria muito desenhar.

 

Hagio: Se você conhecer a jovem Margaret pelo spin-off e reler mais uma vez Baraou no Souretsu, entende-se muitas coisas.

 

Kanno: A posição de rainha é difícil, né? Fundamentalmente, não há muito espaço para manobra. E também há muitos casos em que não se está ligada diretamente ao fazer político. Quando a sensei desenhou Ouhi Margot, não foi difícil? Não é como se a Margot tivesse um objetivo definido.

 

Hagio: É verdade. Eu estava sempre elucubrando sobre a razão pela qual ocorreu o Massacre da Noite de São Bartolomeu e a deixa para começar Ouhi Margot foi achar que conseguiria entender se desenhasse esse mangá, mas não consegui entender muito os sentimentos da própria Margot. Eu costumo conversar com meus personagens enquanto escrevo. “Por que você está fazendo uma coisa dessas?” Por mais que perguntasse para a Margot, ela não me respondia muito (risos).

 

- Por mais que estejam escritas em documentos as ações de personagens históricas, não dá para saber o que eles estavam sentindo –

 

Kanno: Se pensar bem, às vezes consigo saber onde uma pessoa estava em determinado momento sem pesquisar. E, ao verificar, descubro que estava correta. Ao passar muito tempo com alguém, aos poucos você talvez consiga vir a entender o que ela faria em determinadas circunstâncias.

 

Hagio: Você atravessa o tempo e entra em sincronia com a pessoa, né?

 

Kanno: Qual foi a razão para ter traído? Qual foi a razão para sua morte? Há muitas coisas cuja verdade não se sabe bem. É aí que está a abertura para poder usar a imaginação livremente. Desenhar baseado em personagens reais enquanto expande a imaginação é onde está a diversão de se fazer obras históricas. Se você pensasse por si mesma do zero, talvez algum tipo de personagem não tivesse nascido. Enquanto está pesquisando fatos históricos, você adota um comportamento como se estivesse indo além das fronteiras de sua imaginação.

 

Hagio: É nessa falta de liberdade incomparável com o nosso pensamento que está a diversão das obras históricas. Há também muitas vezes em que se pensa “Por que você está fazendo uma coisa destas!?”

 

Kanno: No padrão típico do shoujo mangá, quando alguém vira rainha, nós temos o final feliz, mas a realidade não ocorre tão bem assim. Com Ouhi Margot também é esse o caso, não é? 

Hagio: Na vida real um rei tem muitas amantes. Bem, a Margot também fazia o que lhe dava na telha (risos).

 

Kanno: Mas esse aspecto de não ser feliz porque se virou rainha é interessante.

 

Hagio: É difícil ser rainha, não é?

 

Kanno: Não se sabe quando se pode ter o pescoço cortado etc. Eu acho que uma mulher definitivamente não deveria se tornar rainha!

 

Hagio: Sabe, quando eu terminei Ouhi Margot, cheguei à conclusão que eu realmente não consigo desenhar mulheres. Quando coloco uma mulher como protagonista, sempre acabo pensando se posso fazê-la tomar determinadas atitudes sendo mulher. Em caso de obras históricas, há especialmente o pano de fundo da época a ser considerado também. Esse é um outro ponto que não dá para contra-atacar.

 

Kanno: De fato, quando é uma personagem feminina, em obras históricas você acaba se preocupando especialmente com as limitações do que ela pode fazer. Mesmo querendo colocá-la se movendo à frente dos acontecimentos, é preciso fazê-la agir nas sombras.

 

Hagio: A Margot é uma mulher que amou muitos homens, mas mesmo assim não dá para dizer completamente que ela desfrutava de liberdade total. Não importa o que acontecesse, havia a posição fragilizada da qual ela não conseguia se livrar enquanto mulher. Mesmo gostando de outra pessoa, ela não conseguiu ir contra o casamento escolhido por seus pais.

 

Kanno: Era uma época em que, se nós não fizéssemos isso, não dava para viver né? Em obras históricas, é preciso que se pense o que você faria se fosse uma pessoa daquele período. O que achei interessante pesquisando foi o lado religioso. Nessa época, a forma de pensar dos cristãos, ou melhor, dos católicos estava na base de tudo. Se você não entende isso, não há como conseguir compreender todos os motivos. Mas se, ao contrário, você conseguir entender isso, então compreenderá tudo.

 

- O coração da rainha Margaret é lido no spin-off

 

- Desde quando você vinha planejando o spin-off Baraou no Souretsu – Ouhi to Bara no Kishi?

 

Kanno: Quando estava me aproximando do fim de Baraou, senti que os leitores também podiam querer ler mais um pouco desse mundo. Esta é uma obra que eu própria desenhei com muito gosto e creio que com ela consegui colocar coisas que não tinha podido apresentar nas obras que fiz até aqui. Além disso, como não tinha conseguido desenhar o interior emocional das personagens femininas, isso me incomodava, então pensei em fazer isso com um spin-off. Eu também tenho dificuldade em desenhar personagens femininas, e nas obras serializadas que fiz até aqui nunca tive nenhuma protagonista, mas achei que desenhando Ricardo que tem ambos os sexos, agora eu acho que conseguiria desenhar uma protagonista mulher.

 

Hagio: A Margaret é uma mulher forte, não é? Como seu marido, Henrique VI, não consegue fazer nada, ela precisou tomar a liderança da família real. Apesar de ser mulher, ela foi aos campos de batalha e guerreou. Mas seu filho Eduardo foi assassinado... Eu ficava pensando que foi uma vida bastante terrível. No primeiro volume de Baraou no Souretsu, ela tira seu relicário e diz “William”. Ele é o Suffolk que está desenhado neste spin-off, né? 

Kanno: Pelos fatos históricos, comparado com a Margaret, ele é alguém muito mais velho. Fiquei me martirizando se deveria transformá-lo em um tiozão bonitão. Mas é um personagem que passará por muitos acontecimentos daqui em diante, e eu fiquei incomodada com a diferença de idade em relação a ela, que era uma garota. Então eu acabei tornando-o mais jovem (risos).

 

Hagio: Eu experimentei pesquisar um pouco sobre a Margaret. No fim, ela voltou para a França, não é?

 

Kanno: Acho que, apesar de ter virado rainha da Inglaterra, ela talvez tivesse uma consciência muito forte de ser francesa. Ouhi to Bara no Kishi começa com uma cena em que a avó da Margaret aparece e lhe entrega um livro. A ideia é que esse livro foi escrito por Cristina de Pisano.

 

Hagio: Quem era ela?

 

Kanno: Pisano era uma espécie de protofeminista. Há um livro que ela escreveu em seus últimos anos de vida sobre Joana d’Arc e, como a avó de Margaret era fã de Joana d’Arc, pensei que não seria estranho se ela tivesse esse livro. Com este trabalho, achei que seria bom se eu conseguisse tocar também em uma temática feminista. 

Hagio: Ah, isso é bom. Não é simplesmente uma relíquia de família que foi entregue, mas também há um sentido no livro em si. Mas existiu uma mulher que escreveu sobre feminismo há tanto tempo assim...

 

Kanno: Eu li um livro escrito sobre Pisano e o conteúdo dos argumentos das correntes contrárias às feministas não mudou muito em relação ao tempo atual.

 

Hagio: É um problema de raízes profundas, né?

 

Kanno: Falando por mim, mesmo agora eu escuto bastante coisas como “Essa é uma obra do ponto de vista feminino” ou “Você conseguiu escrever essa fala porque é uma autora mulher” e fico pensando “Hã?”

 

Hagio: Entendo o que você quer dizer. Falando de outra forma, os homens que dizem esse tipo de coisa existem aos montes com esse sentimento de negligência. Você pensa “por que eles não prestam atenção nesses pontos?”

 

Kanno: Ah, é exatamente isso!

 

Hagio: Claro, não são apenas homens que falam dessa forma. Mas o fato de homens conseguirem não sentir incômodo mesmo deixando de notar essas coisas não viria justamente de eles estarem em uma posição superior socialmente? É muito forte dizer que mulheres percebem porque estão em uma posição fraca, mas se nós não mergulharmos nos mínimos detalhes e refletirmos sobre eles, não há como sobreviver. Creio ser por isso que nós conseguimos perceber os detalhes. Quando um homem que não consegue perceber essas coisas fala “É um ponto de vista feminino”, dá vontade de retrucar (risos).

 

Kanno: Por exemplo, sobre a fala de uma mãe já me disseram que consegui escrever aquilo por ser uma mulher que pode dar à luz crianças. Mas eu não tenho filhos nem sou casada. Se mesmo assim eu consigo desenhar uma mãe, certamente um homem também consegue. Eu normalmente converso com amigas próximas que têm crianças e desenho tentando imaginar o que elas sentem. Isso é algo que se você fizer uma observação séria, vai entender.

 

Hagio: Essa frase é boa! “Se fizer observação, vai entender”.

 

Kanno: Será que eles não estão ignorando o ato de observar? Há homens que dizem coisas como “As mulheres são seres misteriosos”, mas é justamente porque não têm nem vontade de observar como são as mulheres que eles acabam reduzindo a isso. Eu até que entendo os sentimentos dessas pessoas, de querer ficar livre, de gostar de seu trabalho e de possuir bastante desejo de ter sucesso na vida. Eu também sou mais do time dos que entendem os sentimentos da nobreza arrogante que aparece bastante em Baraou (risos). Por isso tenho a sensação de que, se estivesse nessa posição, também pensaria dessa forma.

 

Hagio: Muitos homens têm essa mentalidade forte de que eles precisam vencer neste mundo, não é?

 

Kanno: Acho que eu própria sou do tipo que tem um sentimento forte de querer vencer em algo. Por isso, também em um sentido social, talvez tenha sido fácil desenhar Ricardo que está entre dois sexos. Por outro lado, Henrique VI, em certo sentido, é o que eu penso “Isto é que é um homem”.

 

Hagio: Henrique VI é um personagem muitíssimo interessante. Ele é um cristão devoto e disse odiar guerrear. Embora todo mundo estivesse banhado em sangue e fazendo guerra, ele fugiu dizendo que queria virar um pastor de ovelhas (risos).

 

Kanno: Através de Henrique VI, perguntei-me se não conseguiria desenhar as dificuldades do lado masculino. Eu quero desenhar isso também no spin-off.

 

Hagio: Ah, estou ansiosa para ver. Nas obras desenhadas por homens, as dores deles não aparecem muito, não é?

 

Kanno: Há também muitos que odeiam o Henrique dizendo “É vergonhoso querer fugir de sua própria posição de rei”. Fico pensando se talvez não seja precisamente dentro dessas pessoas que exista um Henrique (risos).

 

- O pensamento de querer fortemente escrever os sentimentos das pessoas que viveram um período de agitação –

 

- Há algo que a Kanno-sensei mantenha em mente ao desenhar uma obra no terreno dos shoujo mangás?

 

Kanno: Acho que é mostrar que o objetivo dos shoujo mangás não é só colocar amores dando certo. Isso é algo que você sente mesmo lendo as obras da Hagio-sensei, mas eu própria, não apenas enquanto leitora, mas também enquanto alguém que desenha shoujo mangás, passei naturalmente a gostar desses outros tipos de história. Claro, eu não estou negando as histórias cujo objetivo seja mostrar amores dando certo.

 

Hagio: Não importa o que você escolha como tema para desenhar, o shoujo mangá precisa ser bonito.

 

Kanno: A indumentária de Ouhi Margot é ótima. Parece que eu estou realmente vendo os vestidos daquela época, mas a sensei desenhou de forma bastante fiel?

 

Hagio: Há coisas que usei como modelo, mas como as imagens ficariam muito poluídas visualmente, eu também fiz algumas simplificações. Como na época de Margot as pessoas enfatizavam o quanto eram ricas através de suas vestimentas, havia vestidos com 40 pérolas penduradas. Você não consegue fazer nada por causa do peso, né? Golas grandes também estavam na moda.

 

Kanno: Eu dei uma bela adaptada na indumentária.

 

Hagio: As roupas de Ricardo são bem legais.

 

Kanno: Como o design no começo estava muito ao estilo de shounen mangás de lutas, corrigi mantendo em mente que queria expressar as coisas através de um shoujo mangá. Eu pensei que em shoujo mangás, mesmo se você estiver no meio de uma batalha, deve-se desenhar as emoções de maneira forte. Talvez seja difícil desenhar as emoções ao tocar em vários assuntos se não for em shoujo mangá. Talvez essa seja uma parte que fica omitida em mangás shounen. Mas, claro, eu também quero que homens leiam. 

Hagio: Talvez seja assim mesmo. Foi lançado o primeiro volume de Baraou no Souretsu – Ouhi to Bara no Kishi. Eu estou ansiosa para saber que tipo de destino haverá e como você irá desenhá-los. Como no período da Guerra das Rosas havia caos – com o poder indo para cá e para lá –, acho que é uma tarefa realmente difícil, mas estarei esperando.

 

Kanno: Muito obrigada! Hum... queria só pedir uma coisa por último. A Hagio-sensei não teria nenhum plano de desenhar os Shinsengumi, não é? Penso que seria certamente muito bom se conseguisse ler uma história deles no seu traço.

 

Hagio: Oi!? É impossível (risos). Teria que estudar desde a forma de segurar as katanas...

 

Kanno: Acabei falando por conta da minha felicidade em conseguir encontrá-la. Claro, eu aguardo ansiosamente qualquer obra que a Hagio-sensei faça, não importa sobre o quê. Sou grata pela oportunidade que me deu de fazer esta conversa.

 

Hagio: Eu é que agradeço. Também me diverti.

POSTAGENS MAIS VISITADAS